Quando as vozes de Exílio e Sobrevivência nos alcançam
Na Poética, de Aristóteles, somos ensinados que quanto mais intensos são os sentimentos inspirados por uma tragédia – medo, horror, revolta, compaixão –, maior é a catarse do público. Uma história bem contada, em que as tensões presentes na peça permitem à audiência identificar-se com as emoções das personagens, conduz à resolução do conflito e ao desfazer de tensões, atingindo-se então a catarse.
Se para Aristóteles a catarse era sobretudo experienciada pela audiência, hoje em dia é comum referirmo-nos à escrita como processo terapêutico – catártico – do próprio autor ou da autora. Afinal, é preciso um especial tipo de coragem para decidir enfrentar o abismo que devolve a nossa reflexão ao espelho. Sem coragem, como seríamos capazes de pôr fim às trevas e preenchê-las de luz?
Vem isto a propósito de uma conversa em que participei, a convite do Centro de Humanidades da Universidade Nova de Lisboa e do coletivo feminista Insurgentes, com a participação de várias autoras com obras sobre migração, cultura e desenraizamento, e que me fez regressar a esta........
