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E o Sporting é o nosso grande amor...

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24.03.2026

“Jogadores do Sporting, hoje não entram apenas em campo por vós, entram por um clube, por uma história e por um país. Mostrem a vossa coragem, a vossa classe e a vossa fé. O resultado da 1ª mão não define o nosso valor. Lutem até ao fim, porque em Alvalade, com o nosso público, nada é impossível”

Presidente Horácio de Sá Viana Rebelo no jornal do Clube de 16/3/1964, na véspera do jogo em que Sporting fez a remontada contra o Manchester United

(Desta feita, não à laia de disclaimer mas de agradecimento, deixo antes de mais uma palavra aos que aqui me seguem e que, de uma forma ou doutra, voluntária ou involuntariamente, contribuem para este projeto da VISÃO possa manter-se com renovada força. Obrigada. Portugal merece de facto estes jornalistas e o trabalho que executam, sendo que só se consegue fazer isto quando se acredita muito. É o caso deles. Que seja o nosso também.)

O meu avô e o meu pai viram a remontada de 1965, e este último e eu, sportinguista confessa e pública, foi com manifesto orgulho que assistimos fez hoje uma semana à nova remontada e manita do Sporting Clube de Portugal, a concretizar o que eu apenas concebia como milagre.

Também neste jogo, o Sporting fez tudo bem e, ab initio, acreditou, tendo estado imparável, sob um apoio espetacular dos adeptos, mostrando, particularmente na segunda parte e no prolongamento, ser uma equipa adulta e, como acabou por confessar o treinador do Bodo Glimt, “demasiado grande”. Não consigo, sequer, realçar um único jogador, porque jogaram todos como uma verdadeira equipa, sem egoísmos individuais e servindo todos um bem comum. Foi uma noite de esforço, dedicação, devoção e, acima de tudo, Glória, para mais quando tudo apontava para um perfeito desastre.

Não é, apenas, por ser do Sporting Clube de Portugal que trago esta fresca memória à colação, sendo que o Braga e o Futebol Clube do Porto também honraram da mesma forma o País. Trago-a porque ela é demonstrativa de que, quando queremos verdadeiramente, os portugueses conseguem trazer à tona o melhor de si.

Mais do que no futebol, o que parece relevante é que, não bastando a crença, quando nos mobilizamos por uma causa justa – e nos dias que correm infelizmente há tantas por onde escolher, seja o que se está a fazer no SNS, seja a reforma laboral que se anuncia, seja ainda os múltiplos casos de corrupção conhecidos, seja, por último, o que se procura introduzir no sistema de ensino -, as hipóteses de obtermos sucesso são exponenciais.

Perante o atual estado de coisas, com guerras absolutamente infundadas que se refletem no bolso de cada um de nós, alheios a tais inusitadas tomadas de decisão, quando os nossos governantes nos deixam cair a troco de patacos ou, pelo contrário, prometem com palavras vãs o oposto do que praticam, o que nos resta já não é, apenas, assistir pacificamente no sofá, enquanto proferimos palavras de protesto.

O que nos resta é, acima de tudo, resistir mas fazê-lo com a força com que o Sporting Clube de Portugal o soube fazer. Com mestria e sabedoria mas, sabendo que, a razão está do nosso lado, com a coragem de que não vira a cara e de quem não desiste. No final de contas, ser português é também isto. Se calhar, é principalmente isto.

Os textos nesta secção refletem a opinião pessoal dos autores. Não representam a VISÃO nem espelham o seu posicionamento editorial.


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