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Tem a palavra o PS. O PSD já se definiu

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26.03.2026

Parece haver um consenso sobre a existência de três blocos políticos. Teríamos, então, o PS, o PSD e o Chega com uma representação na Assembleia da República semelhante, defendendo projetos políticos distintos. Essa ideia sairia reforçada pelo impasse que estamos a viver, nomeadamente pela falta de nomeação de juízes para o Tribunal Constitucional e pelo impacto cénico no Parlamento, com o Chega a adotar também um discurso violento contra o Governo.

Correndo o risco de ficar a agitar a minha pequeníssima bandeira no meio da multidão, não há três blocos coisa nenhuma. Há um bloco sólido nos valores que defende e outro a que ainda é difícil chamar sequer bloco. É uma entidade difusa, que ainda não se percebe bem ao que vem, o que quer e como se posiciona.

Passos Coelho tem o processo revolucionário que tanto deseja em curso. O único problema − para ele, claro − é que está a ser levado a cabo sem ele. 

A coligação PSD/Chega é uma realidade para quem não se deixa enganar por números de circo e narrativas sobre linhas coloridas. Até as célebres reformas estruturais estão aí: umas anunciadas com estrondo, outras feitas mais discretamente, mas todas com o selo dessa coligação.

Pouco importa se houve assinatura formal de algum acordo; o que conta é a partilha de valores e princípios e a forma como estes se expressam na organização da comunidade. Quando dois partidos convergem em reformas tão essenciais como imigração e nacionalidade, ou quando revertem conquistas civilizacionais − como na questão da identidade de género, contrariando o consenso........

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