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Irão-EUA: O acordo impossível

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19.06.2026

Há momentos em que uma guerra não termina porque uma das partes venceu, mas porque todos os protagonistas descobriram que continuar a guerra se tornou mais perigoso do que fingir que a paz é possível. É esse, provavelmente, o verdadeiro significado do memorando de entendimento que os Estados Unidos da América e o Irão se preparam para assinar. Não estamos perante um acordo de paz, muito menos perante uma reconciliação estratégica. Estamos perante uma suspensão negociada do abismo, uma arquitetura provisória destinada a impedir que uma guerra regional se transforme numa crise económica global e que uma vitória militar se converta, como tantas vezes acontece no Médio Oriente, numa derrota política.

A primeira ilusão que convém desfazer é precisamente essa: um memorando de entendimento não é um tratado de paz. É uma peça diplomática ambígua por natureza. Serve para fixar intenções, congelar posições, criar canais de comunicação e permitir que cada lado regresse à sua opinião pública com uma narrativa minimamente suportável. A paz exige reconhecimento, garantias, verificação, mecanismos de cumprimento e uma certa aceitação da legitimidade do outro. Este memorando oferece outra coisa: tempo.

Tempo para Trump sair de uma guerra que começava a ameaçar a economia americana, tempo para o Irão recuperar oxigénio financeiro e tempo para a região testar se a contenção ainda é possível depois de meses em que todos pareceram apostar na escalada.

É por isso que a assinatura, se acontecer, será apenas o princípio da crise seguinte. O texto poderá reabrir o estreito de Ormuz, aliviar parcialmente sanções, suspender certos bloqueios, criar uma moldura para futuras negociações nucleares e impor uma espécie de moderação operacional em frentes como o Líbano. Mas nenhuma destas medidas resolve o problema central.

O Irão continuará a ser uma potência revolucionária com ambição regional. Israel continuará a ver a República Islâmica como uma ameaça existencial. Os Estados Unidos continuarão divididos entre o desejo de sair do Médio Oriente e a impossibilidade de abandonar completamente a região. E os países do Golfo continuarão a viver entre a necessidade de estabilidade energética e o receio de uma hegemonia iraniana reabilitada.

A segunda ilusão é a de que o Irão perdeu apenas porque sofreu militarmente. A História ensina o contrário. Em 1956, Gamal Abdel Nasser foi derrotado militarmente no Suez por Israel, França e Reino Unido. Mas a conjugação da pressão americana, da oposição soviética e do desgaste político dos velhos impérios europeus transformou essa derrota militar numa vitória simbólica. Nasser não venceu no campo de batalha. Venceu na narrativa. Sobreviveu, enfrentou os antigos senhores da região e emergiu como figura central do nacionalismo árabe.

O paralelo não é perfeito, mas é útil. O Irão não precisava de derrotar os Estados Unidos ou Israel para vencer politicamente. Precisava apenas de sobreviver, manter o regime intacto, conservar capacidade de negociação e transformar o estreito de Ormuz numa arma diplomática.

Foi exatamente isso que fez. Durante décadas, Ormuz foi a pistola que Teerão fingia não existir. Por ali passa uma parte decisiva da energia mundial. Fechá-lo completamente seria suicidário para o próprio Irão, mas ameaçar a........

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