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A escola que proíbe o futuro com uma régua do passado. Opinião de uma professora

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18.09.2026

A escola portuguesa tornou-se digital. Os sumários, as avaliações, os manuais, os trabalhos, os avisos às famílias, as plataformas e uma parte crescente da aprendizagem vivem hoje em ambientes virtuais. A Inteligência Artificial entrou na vida dos alunos antes de muitas escolas terem tempo para decidir como a querem receber. Contudo, perante o objeto que concentra grande parte dessa vida digital — o telemóvel — a resposta dominante é outra: proibir. 

Este é mais do que um paradoxo pedagógico. É uma contradição criada pelo próprio sistema. O mesmo sistema que legisla sobre inovação, exige competências digitais, financia plataformas, promove manuais virtuais e apela à transformação das práticas cria, ao mesmo tempo, regras, avaliações e estruturas que limitam a experimentação responsável. Pede-se à escola que avance, mas conserva-se a organização que a obriga a andar de marcha atrás. 

O progresso entra, assim, em conflito com o presente. A inovação aparece nos documentos como objetivo, mas encontra horários rígidos, currículos extensos, exames uniformizados, falta de tempo colaborativo, formação insuficiente e medo do erro. Proclama-se a autonomia e responde-se com padronização. Introduz-se tecnologia e desconfia-se de quem procura integrá-la. O sistema não se limita a regular a inovação. Demasiadas vezes, convoca-a e castra-a. 

É neste paradoxo que começa uma das inquietações do meu manifesto Sem Réguas nem Amarras. Não escrevo para defender que os jovens devem usar o telemóvel em qualquer lugar e a qualquer momento. Conheço os efeitos da distração, das notificações permanentes, da exposição excessiva, da comparação social e do cyberbullying. Sei o que acontece quando uma aula é interrompida por mensagens, quando uma imagem é captada sem consentimento ou quando o intervalo deixa de ser encontro para se transformar numa fila de rostos inclinados sobre ecrãs. 

Proteger a atenção é necessário. Proteger a privacidade também. Uma escola não pode aceitar que a liberdade de um aluno impeça os outros de aprender, descansar ou existir sem serem filmados. O problema começa quando a proteção é apresentada como se fosse, por si só, uma resposta educativa completa. Proibir pode reduzir distrações e riscos enquanto o aluno permanece na escola, mas não lhe ensina a gerir notificações, a proteger a sua privacidade, a respeitar a imagem dos outros, a avaliar informação ou a utilizar a Inteligência Artificial com sentido crítico. Quando a proibição ocupa o lugar da educação, o comportamento fica temporariamente controlado, mas a responsabilidade continua por construir. 

A legislação portuguesa avançou de uma restrição do uso nas aulas para uma proibição mais ampla no espaço escolar. O Decreto-Lei n.º 95/2025 aplicou-a aos 1.º e 2.º ciclos; o Decreto-Lei n.º 176/2026 alargou-a ao 3.º ciclo. Existem exceções pedagógicas, de saúde e de acessibilidade e há resultados que associam as restrições a melhorias de comportamento e convivência. Não ignoro esses benefícios. Pergunto apenas se retirar o aparelho é suficiente para........

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