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Manifesto: Contra a produtividade, pim! Pela felicidade, pum!

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14.08.2026

O dia começa a esvair-se. O céu derrete-se languidamente, em tons de laranja, que escorrem até se desfazerem numa mancha de um rosa arroxeado que desmaia sobre o azul frio. Em breve, vai voltar a aparecer uma lua redonda, cheia como uma laranja, boiando sobre as águas. Não consigo desviar os olhos. Penso em pegar no telefone para fotografar. Mas travo o gesto. Nenhuma fotografia conseguiria captar este momento. Inspiro o vento salgado do fim de tarde com a mesma ânsia com que mergulhei uma e outra vez no mar desde o princípio da manhã. Primeiro aproximando-me devagar, a pele arrepiada avançando sobre as águas. Depois atirando-me inteira sobre as ondas. O corpo deslizando, aquático, como se voltasse ao início de si, àquele momento em que flutuava ainda como embrião. Até me faltar o ar e vir à tona e o arrepio da pele me fazer voltar ao calor do areal. Uma e outra vez. Até o dia desaparecer.

Há um único dia de férias de verão. Não importa quantos anos se passem. Volto ao mesmo dia, cristalizado na infância, uma e outra vez. Não importam as variações. É pouco importante o pormenor do local ou do tempo. O que importa é regressar à praia e àquele dia que se refaz em todos os dias das férias de verão.

Sou muito feliz na rotina das férias. Gosto de voltar todos os anos ao mesmo lugar, ainda que ao longo de décadas de vida esse sítio já tenha mudado muitas vezes. Por muito que goste da viagem e da novidade, é neste regresso........

© Visão