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A primeira e última aula do dia sobre a meteorologia que ensina

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03.02.2026

Há uma janela discreta que a televisão abre, todos os dias, para o mundo: o boletim meteorológico. Não lhe damos grandes honras, talvez por hábito, talvez por desatenção, mas essa pequena rubrica — tantas vezes reduzida a centímetros, apressada, improvisada, ferida pela simplicidade enganadora de uma aplicação de telemóvel mostrada em direto — podia ser um dos momentos mais nobres do serviço público. Podia, e deve, voltar a ser aquilo que em tempos já foi: um espaço de conhecimento, de orientação, de clareza, de cidadania.

Quando as tempestades apertam, quando o País enfrenta cheias, ventos fortes, fenómenos extremos, a meteorologia deixa de ser uma trivialidade e passa a ser um instrumento de proteção civil. É, por isso, perturbador vê-la tratada com leviandade. Rui Tavares Guedes, diretor da VISÃO, apontou com justeza essa erosão da informação meteorológica: a ficção de “direto permanente” que esconde a ausência de análise. E se a crítica é certeira, mais certeiro ainda é perceber que perdemos uma oportunidade pedagógica diária, desperdiçada pela televisão portuguesa.

Os franceses, por exemplo, não desistiram de ensinar. Há um canal que se destaca acima de todos, pela ambição geográfica, visual e pedagógica: a TV5Monde, talvez o mais extraordinário serviço meteorológico televisivo do mundo francófono. O seu boletim é internacional, plural, global; não se limita à Europa ou ao país de origem — percorre o planeta, zona a zona, hemisfério a hemisfério. Apresenta meteorologia da........

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