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Opinião: Aos 55, ainda valemos?

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21.08.2026

Há uma idade em que começamos a perceber que o mercado de trabalho deixou de olhar para nós da mesma maneira. Não acontece necessariamente no dia em que fazemos 50 ou 55 anos. Não recebemos uma carta, ninguém nos telefona a informar e não existe regra escrita a determinar que, a partir daquele momento, passámos a valer menos. A mudança é mais subtil. Começamos a reparar que certas oportunidades deixam de aparecer, que algumas candidaturas ficam sem resposta e que, nos processos de recrutamento, a experiência parece pesar menos do que a data de nascimento no currículo. É uma sensação difícil de explicar, sobretudo quando continuamos a sentir que temos muito para oferecer. 

Regressei a Portugal aos 55 anos, depois de muitos anos como expatriado. Voltei com uma experiência que não cabia facilmente numa página de currículo. Países diferentes, empresas diferentes, culturas empresariais distintas, equipas multinacionais, decisões difíceis, projetos que correram bem e outros que correram menos bem. Voltei também com aquilo que considero uma das formas mais valiosas de conhecimento profissional, a experiência acumulada de quem já viu muitas vezes o que pode acontecer quando se toma uma decisão, quando se ignora um risco ou quando se desperdiça uma oportunidade. 

Voltei com vontade de continuar a trabalhar. Não com a ideia de abrandar, de esperar pela reforma ou de ocupar o tempo até chegar a idade de parar, mas com energia, ambição e vontade de fazer o que sempre fiz, resolver problemas, assumir responsabilidades, construir equipas e pôr a experiência ao serviço de novos desafios. Foi então que comecei a perceber uma realidade mais comum do que gostamos de admitir que é que aos 55 anos podemos continuar perfeitamente capazes de trabalhar, mas já não somos necessariamente vistos como a escolha mais óbvia. 

O que vê uma empresa quando olha para um profissional de 55 ou 60 anos? Vê experiência, maturidade, capacidade de decisão, alguém que já passou por situações suficientes para não entrar em pânico perante o primeiro problema? Vê uma pessoa que talvez precise de menos supervisão porque já aprendeu a trabalhar sozinha? Ou vê simplesmente alguém mais velho, potencialmente mais caro, menos disponível para mudanças e, supostamente, com menos energia do que um candidato de 30 ou 35 anos? 

A resposta honesta é que, do lado das empresas, existem razões legítimas para preferir determinados perfis mais jovens. Um profissional no início ou a meio da carreira pode ter maior disponibilidade, estar mais familiarizado com tecnologias e metodologias recentes, ter expectativas salariais diferentes e, em algumas funções, trazer uma energia que alguém com mais responsabilidades familiares........

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