Zona de guerra exige gabinete de guerra. Opinião de Filipe Luís
Azona Centro do País, em especial o distrito de Leiria, e a própria bela e próspera cidade capital de distrito, é uma zona de guerra. O que a tempestade Kristin provocou foi um verdadeiro bombardeamento, que não poupou ruas, estradas, casas, escolas, prédios, fábricas e até uma base aérea (Monte Real), que ficou inoperacional. A devastação é total e o pinhal de Leiria parece ter sido varrido por uma motosserra gigante. Nos dias seguintes à catástrofe, era ver homens e mulheres, em cima de telhados, a tentar atamancar, portões e vedações destruídas, telhados e coberturas pelos ares, água, energia e telecomunicações cortadas por tempo indefinido, supermercados – os poucos abertos – em racionamento rigoroso, filas gigantescas para abastecimento de combustível. Idosos em aldeias isoladas sem ajuda, energia, telemóvel nem medicamentos, famílias sem abrigo, expostas à intempérie. Centenas de voluntários abriram pontos de abastecimento, bombeiros trabalharam dia e noite, sob a coordenação deficiente de uma proteção civil cujo comando, mais uma vez, deu sinal de ineficácia. De um momento para o outro, as telhas, as simples telhas de barro, passaram a ser um bem raro e procurado. Mais do que as telhas, alguém que soubesse montá-las. Em telhados escorregadios, pelo menos duas pessoas perderam a vida, depois de quedas de dez e mais metros, e centenas de outras, feridas, foram assistidas em hospitais. O eixo da cintura industrial de Leiria, Cruz da Légua, Porto de Mós, Martingança, é a capital nacional das cerâmicas, com dezenas de fábricas a produzir tijolos e todos os tipos de telhas. Dir-se-ia, portanto, que, a acontecer, a tempestade aconteceu no sítio certo. Puro engano: os cortes de energia e a destruição de instalações paralisaram as fábricas. De repente, nas redes sociais, multiplicaram-se as ofertas de particulares e de empresas, em todo o País, com........
