O triângulo amoroso
Há mais de um ano que a política portuguesa gira em torno de um triângulo amoroso, onde não faltam discussões, amuos, ciúmes, traições, vinganças e cenas de faca e alguidar. Nos últimos capítulos desta novela da vida política, André Ventura fez uma cena e, no próprio altar em que se celebrava a aprovação do pacote laboral, disse “não”. Logo no dia seguinte, Luís Montenegro fugiu para a cama da “outra”, caindo nos braços do PS para fazer aprovar a reforma da Prestação Social Única. Ato contínuo, Hugo Soares, líder parlamentar do PSD, elogiava o PS, nas redes sociais, e com recurso a vídeos com guião em formato de “moral da história”, repreendendo o Chega, parceiro em quem não se pode confiar. Mas, na mesma semana, o decano socialista Carlos César anunciava que, embora maltratado e traído, Luís Montenegro ia perdoar ao Chega. E o público ficou à espera do desfecho: será que eles vão voltar?…
A manobra foi evidente e, embora servisse para resolver uma questão séria, a da PSU, cuja aprovação permite ao Estado português encaixar mais uma tranche de 620 milhões de euros dos fundos do PRR, o figurino do acordo tem todos os ingredientes que esperamos de uma clássica silly season: o PSD estava a “fazer pirraça”. Assim, em tempo recorde, e sem que fossem clarificados, sequer, alguns pontos importantes (já lá vamos), PS e PSD entenderam-se. O PS, que estava à espera de uma oportunidade para provar que é mesmo um partido “responsável”, recebeu a proposta de entendimento do PSD como uma planta a secar no vaso recebe um balde de água: depois de meses a queixar-se de que o primeiro-ministro não lhe telefona, não o consulta e não responde às suas propostas, José Luís Carneiro tornou-se, enfim, relevante. Sem o PS, esta reforma não teria sido aprovada e........
