A verdadeira razão porque Ventura pede a baixa da idade da reforma. Opinião de Filipe Luís
Quando André Ventura declarou que a sua condição, para aprovar o código laboral, era a redução da idade da reforma, duas hipóteses se colocaram. E uma não era incompatível com a outra: por um lado, o líder do Chega aproveitava para mais uma proposta demagógica, suscetível de angariar simpatias eleitorais. Por outro lado, Ventura colocava uma hipótese que, à partida, sabia que seria impossível que o Governo aceitasse, para que, assim, tivesse um pretexto para chumbar o código laboral. Acusado de demagogia e de irresponsabilidade – e acusado disso pelo “amigo” e alegado guru Pedro Passos Coelho… −, Ventura deu sinais de recuo, encontrando outras exigências que o Governo poderia acomodar e parecendo deixar cair a da idade da reforma. Mas, depois, voltou a defendê-la, com redobrado vigor. E uma pessoa interroga-se: isto será mesmo populismo puro e duro, ou será outra coisa?
É outra coisa. Embora, mais uma vez, não haja incompatibilidade entre duas hipóteses possíveis. Reduzir a idade da reforma só é viável se as penalizações forem ainda mais drásticas do que as que já existem – ninguém consegue ficar a ganhar o mesmo que ganhava na vida ativa. Ou, então, é o caminho mais rápido para a falência do sistema. Ou seja, esta proposta serve, às mil maravilhas, os interesses associados à privatização da Segurança Social. Seguradoras e outros agentes capitalistas esfregariam as mãos se a idade da reforma viesse a ser reduzida – em vez de aumentada, como a crise da substituição de gerações e o aumento da esperança de vida exigem. Mas nem é preciso que o sistema impluda: qualquer perturbação ou falta de confiança nesse mesmo sistema levará as pessoas, em especial, as novas gerações, a aderir em massa a sistemas privados para........
