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Quadros de mérito: incentivo ao esforço ou celebração da desigualdade?

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15.09.2026

Há tradições escolares que parecem tão naturais que raramente nos detemos a questioná-las.

Os quadros de mérito são uma delas. Todos os anos, em inúmeras escolas, os nomes dos alunos que obtiveram os melhores resultados são destacados, afixados, publicados ou celebrados em cerimónias próprias. São apresentados como exemplos de dedicação, responsabilidade, empenho e excelência. E, à partida, parece difícil encontrar algo de errado em reconhecer quem trabalha, quem se esforça e quem alcança bons resultados.

Mas será que distinguir os melhores alunos é, necessariamente, a melhor forma de promover o mérito? Será que estamos, realmente, a incentivar todos a aprender ou estamos, inadvertidamente, a criar uma escola onde alguns são reconhecidos por chegar mais longe enquanto outros aprendem, desde muito cedo, que dificilmente terão lugar nesse palco?

A questão merece ser colocada sem preconceitos. Sei que tenho filhos academicamente brilhantes, mas também sei que eles têm colegas que jamais o conseguirão ser. Sei que recebi um galardão de mérito académico universitário, mas sei que muitos dos meus colegas dificilmente o conseguiriam obter.

Não se trata de defender uma escola onde o esforço não seja valorizado, nem de negar o mérito de quem alcança excelentes resultados.

Trata-se, antes, de perguntar que conceito de mérito queremos transmitir às crianças e aos jovens e que impacto têm estas práticas na sua relação com a aprendizagem, com os colegas e consigo próprios.

Porque uma escola não deve apenas ensinar conteúdos. Deve também ensinar valores.

O princípio parece simples: quem obtém os melhores resultados merece ser reconhecido. O problema começa quando confundimos resultado com mérito.

Um aluno que termina o período com médias elevadas pode, sem dúvida, ter trabalhado........

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