Culpa o imigrante, o novo desporto-rei
Venho falar-vos do fenómeno que tomou a nação de assalto e, em poucos anos, conquistou petizes e adultos de tal forma que já nem nos lembramos de como eram as coisas antes de ter chegado este desporto. Chegou tardiamente já depois de ter conquistado o resto do hemisfério, mas agora que aqui está, parece estar mesmo para ficar. Falo-vos, claro, do “culpa o imigrante”.
A mecânica do jogo é simples e pode ser jogado em qualquer lado, embora o ideal seja fazê-lo em caixas de comentários das redes sociais, no café, à mesa da refeição com a família ou, de forma mais profissional, no parlamento. É a simplicidade das regras que parece atrair multidões: uma pessoa enuncia um problema e logo de seguida outra diz que a culpa é dos imigrantes.
A habitação está impossível… É culpa dos imigrantes. O sistema de saúde está à beira do colapso… É culpa dos imigrantes. A educação, o trânsito, a criminalidade, o cheiro a comidas que não nos são familiares, enfim, as possibilidades são imensas e o segredo está em não nos deixarmos parar pelo ridículo que possa ser culpar imigrantes por um determinado problema.
Uma das principais vantagens deste desporto é permitir enunciar posições que não são mais do que racismo e disfarçá-las com roupagem de “preocupação com os portugueses” — as pessoas sem-abrigo são sempre a cartada clássica. E, sendo um jogo, dá a ideia de não estar nada verdadeiramente........
