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O fim do desconforto como critério educativo

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02.04.2026

Há decisões que parecem pequenas até ao momento em que percebemos o que tornam possível. A exclusão de Saramago do núcleo obrigatório não é apenas uma escolha curricular. É um sinal. Não porque retire um autor, mas porque redefine uma exigência. 

Saramago nunca foi leitura confortável. Nunca foi apenas literatura.  Foi sempre interrupção, um momento em que o leitor deixava de atravessar a narrativa e passava a ser atravessado por ela. E talvez seja precisamente isso que hoje se torna inconveniente.

Num sistema orientado para o imediato, para o mensurável e para o funcional, perde espaço tudo aquilo que não se resolve rapidamente. Tudo o que exige tempo, silêncio e permanência. 

Ler Saramago não é rápido nem eficiente. Não serve para cumprir. Obriga a parar, a pensar e, sobretudo, a aceitar que pensar tem consequências. Não porque seja proibido, mas porque é cada vez menos exigido.

Quando a escola deixa de tornar obrigatório um autor que ensina a desconfiar do óbvio, não está........

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