Edite e a apatia em nós
Edite não é nome de tempestade nem de depressão. A morte de Edite não foi gravada para choque geral da população, num tempo em que a indignação coletiva é cutucada com imagens a circular nas redes sociais, porque a empatia engorda com os olhos. Ver para sentir. Não vai melhorar.
Edite tinha 30 anos, era motorista da Carris. De acordo com as notícias publicadas na semana passada, tinha perdido a mãe recentemente e vivia com o pai, o irmão e os seus dois filhos em Lisboa, uma menina de 12 anos e um menino de 8.
Vivera tempos difíceis com a morte da mãe e uma relação tóxica que ficara no passado. Mas ainda a deixava com medo. O ex-namorado ameaçava-a, segundo Diogo, o homem que na noite de domingo, 1 de fevereiro, a pedira em namoro. “Ela acordava com medo. Via um carro semelhante ao dele e ficava logo com receio. Ninguém........
