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Protagonismo feminino na cultura oceânica

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22.02.2026

Protagonismo feminino na cultura oceânica

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Em 1766, uma jovem francesa embarcou em uma expedição que daria a volta ao mundo. Seu nome era Jeanne Baret. Mas, para navegar, precisou mudar de nome, Jean, e se passar por homem na viagem comandada por Louis Antoine de Bougainville.

Foi descoberta, perdoada e, durante três anos, catalogou milhares de espécies, cruzou oceanos e entrou para a história como a primeira mulher a circum-navegar o planeta.

Me inspirei nela como uma mulher corajosa e, de repente, ao concluir a expedição global da Voz dos Oceanos, me vi sendo a primeira mulher brasileira a dar quatro voltas ao mundo a bordo de um veleiro.

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O oceano sempre reconheceu liderança, estratégia e coragem nas mulheres que estiveram no mar. Mas, por muito tempo, fomos invisíveis. Hoje, somos visíveis.

Comecei a velejar em 1975. Lembro da primeira vez segurando o leme e sentindo que era aquela a vida que eu queria: ser velejadora. Uma ousadia e tanto, diziam.

Naquela época, éramos poucas mulheres na vela. Cada milha navegada era uma descoberta, do mundo e de mim mesma.

Ao longo dessas décadas, vi uma transformação silenciosa acontecer. Fomos ocupando o mar com naturalidade, preparo e competência.

Vi mulheres ocupando espaços no mar, nas pesquisas científicas e na linha de frente da conservação, sejam pescadoras, ribeirinhas ou marisqueiras.

Vejo a jovem e determinada Tamara Klink navegando nas águas geladas do Ártico, abrindo novas rotas simbólicas para tantas meninas que sonham alto.

Vejo mulheres brasileiras fazendo suas primeiras grandes travessias oceânicas, como Izabel Pimentel, a primeira velejadora brasileira a dar uma volta ao mundo em solitário.

Vejo novas gerações que já crescem sabendo que o mar é espaço de realização.

E penso nas mulheres da conservação que caminham ao meu lado.

Berna Barbosa, guardiã de Abrolhos, e Zelinha Brito, chefe do Atol das Rocas, pioneiras incansáveis, há décadas lutando por suas ilhas oceânicas.

Paulina Chamorro, comunicando o mar com paixão e verdade.

Alice Pataxó, firmando-se como voz jovem, potente e representativa, destacando a relação dos povos originários com o mar.

E as cientistas da Voz dos Oceanos, como Marília Nagata, mulheres brilhantes que analisam microplásticos, estudam impactos invisíveis e transformam dados em consciência global.

Mulheres da academia, como Marinez Scherer, enviada especial da COP30 para Oceanos, que brilhou antes e durante a Conferência e segue ecoando essa missão pelo Brasil e pelo mundo.

Ana Paula Prates, engenheira de pesca e doutora em Ecologia Marinha, voz oceânica do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, que atua ao lado da inspiradora Ministra Marina Silva, na defesa de políticas públicas voltadas à recuperação e conservação de nossas águas.

E minha inspiração desde cedo: Sylvia Earle, oceanógrafa que lá atrás, abriu caminhos para que a ciência oceânica ganhasse voz e relevância no mundo.

Hoje vejo tantas outras seguindo essa rota, com rigor, sensibilidade e compromisso.

Aline Aguiar, Antonia Mascarenhas, Carolina Cardoso, Janaina Bumbeer, Jessica Wandscheer, Lara Iwanicki, Letícia Camargo, Mariana Andrade, Mariana Clauzet, Marina Corrêa, Nathalie Gil, Natali Piccolo, Tatiana Souza...apenas para citar algumas das muitas mulheres de organizações dedicadas à defesa de nosso oceano, de nossa floresta e de nosso planeta.

Hoje, quando olho para trás e ao redor, vejo algo ainda mais bonito: mulheres de todas as idades no leme, no remo, no laboratório, no convés, na liderança.

Estamos conduzindo uma nova relação com o oceano e com o planeta.

Uma onda que cresce, com representantes cada vez mais jovens despontando, como Bianca Fernandes, da Imprensa Teen Azanha, que desde o G20 Brasil nos acompanha com jovens repórteres e ecoa a causa oceânica entre estudantes das redes públicas de ensino.

A poucos dias do Mês das Mulheres, celebro cada mulher que escolheu o mar como caminho, missão ou paixão. Uma homenagem que vai além das datas comemorativas. Porque essa celebração não cabe em um calendário. Ela é diária, constante, viva como o próprio oceano.

O oceano reconhece quem o respeita.

Seguimos ampliando horizontes, com o vento nos impulsionando e o leme firme em nossas mãos.

Juntas, somos a Voz dos Oceanos.

E seguimos lutando por um futuro mais sustentável.

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.

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