O futebol e a Copa dos Oceanos
O futebol e a Copa dos Oceanos
Quando partimos para nossa primeira volta ao mundo, o Brasil já era tricampeão mundial, e uma bola de futebol estava entre os poucos brinquedos que conseguimos levar a bordo. No veleiro, éramos apenas nós. Mas, em cada parada pelo Brasil e pelo exterior, aquela bola e o país de Pelé se transformavam em nosso passaporte para novas amizades.
Durante os dez anos de planejamento que antecederam a viagem, nossos pais ouviam frequentemente a mesma preocupação: "Coitados desses meninos. Não terão amigos. Viverão isolados, limitados ao convívio familiar." A realidade foi exatamente o contrário.
Eu tinha 10 anos e meu irmão Wilhelm, 7. Em praticamente todos os lugares onde chegávamos, desembarcávamos com nossa bola de futebol debaixo do braço. Pouco tempo depois, já estávamos disputando partidas improvisadas em praias, gramados, terrenos de terra batida ou qualquer espaço que pudesse se transformar em campo.
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O futebol nos aproximou de comunidades e culturas completamente diferentes. Muitas vezes não compartilhávamos o mesmo idioma. Em alguns lugares, sequer conseguíamos trocar uma frase inteira. Mas dentro das quatro linhas, tudo fazia sentido. A gente se entendia, se divertia e construía amizades que permaneceram muito além daqueles encontros.
E havia um detalhe especial. Bastava dizer que éramos brasileiros para abrir sorrisos imediatos. Quase sempre vinha a mesma reação, acompanhada de admiração: "Brasil... Pelé!"
Nossa primeira volta ao mundo terminou justamente em 1994, ano em que o Brasil conquistou o tetracampeonato mundial. Parecia uma coincidência perfeita entre a nossa jornada e a trajetória da........
