Documento 512: a história da maior mentira arqueológica do Brasil
Documento 512: a história da maior mentira arqueológica do Brasil
13º15'S, 41º16'OSerra do SincoráParque Nacional da Chapada Diamantina, Mucugê, Bahia
No começo do século 17, um bandeirante chamado Robério Dias, conhecido como Muribeca, foi preso por não revelar ao governo a localização das minas de prata que ele dizia ter encontrado nos rincões da Bahia. Muribeca morreu e, com ele, seu segredo.
Ou, pelo menos, foi assim que a lenda se espalhou. Décadas e décadas se passaram e nada de encontrarem esse Eldorado baiano.
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Até que, em meados do século 18, um manuscrito misterioso revelou sua localização. O documento, no entanto, só veio a público em 1839.
Uma expedição se dirigiu ao local. Algumas das melhores cabeças do recém-fundado Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro se envolveram a fundo. O próprio Dom Pedro 2º acompanhou o caso.
As minas (e a saga para encontrá-las) ficaram tão famosas que inspiraram alguns dos títulos de literatura de aventura mais conhecidos dos séculos 19 e 20. Mas tudo era miragem.
O documento que originou essa corrida era falso. Uma lorota que teve grande importância na construção do passado do Brasil e na exploração do interior do jovem império.
Em 1839, o naturalista Manuel Ferreira Lagos descobriu um manuscrito antigo, feito por bandeirantes no século anterior, em um canto da Livraria Pública da Corte (antecessora da Biblioteca Nacional). Ele levou o documento ao Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB).
Intitulado "Relação historica de uma occulta, e grande povoação antiquissima sem moradores", o texto se tornaria mais conhecido como Documento 512. Um nome técnico que o que não tem de romantismo tem de sobra em fonte de mistério e de teorias conspiratórias.
Mas ele, na aparência, não tinha nada de fantasioso. Tanto que, pouco depois, foi publicado na íntegra na revista do IHGB.
Isso porque não se tratava de um relato cheio de criaturas e acontecimentos fantásticos, como aqueles do século 16 que descreviam cidades douradas escondidas na Amazônia, alimentando o mito de Eldorado. Era um texto relativamente sóbrio, sem maravilhas incomuns.
Tudo bem que, já no início do relato, ele descrevia uma montanha brilhante, repleta de cristais e de difícil acesso. Mas no geral o texto podia ser considerado "pé no chão" para os padrões.
Na narrativa, os bandeirantes descobriram um caminho calçado por dentro do monte e chegaram ao que pareciam ser as ruínas de uma antiga cidade. O local estava despovoado. Três arcos "de grande altura" despontavam na entrada.
Como seriam as ruínas
Pelas descrições e o contexto, não se tratava de uma colônia portuguesa ou espanhola abandonada nem de uma mina fora de atividade. A maioria dos complexos mineradores na Bahia estava em atividade no século 18.
Além disso, o texto falava em pórticos, estátuas, templos e inscrições. Isso remetia à Antiguidade clássica da Europa, não aos tempos da colonização ibérica.
O historiador Johnni Langer, em um artigo a respeito na "Revista Brasileira de História", explicou que o manuscrito surgiu em um contexto........
