Cachorros pretos foram exterminados no Haiti por causa de um boato
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18º32'N, 72º20'ORuínas do Palácio NacionalPorto Príncipe, Departamento Oeste, Haiti
François Duvalier foi um dos ditadores mais infames do século 20. Estima-se que mais de 30 mil haitianos tenham sido mortos pelos regimes dele e de seu filho, Jean Claude, que o sucedeu.
Mas, em dado momento, não eram só os humanos que viviam sob um reino de terror. O verão de 1963 foi o pior momento para ser um cachorro preto no Haiti.
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O médico François Duvalier foi eleito presidente em 1957. Conhecido como Papa Doc, ele não demorou para instaurar um regime ditatorial no país.
Em 1959, após um golpe frustrado que tentou derrubá-lo no ano anterior, ele fundou a Milícia de Voluntários da Segurança Nacional, polícia política que, assim como o presidente, era mais conhecida pelo apelido do que o nome próprio: Tonton Macoute. Tonton macoute é uma figura do folclore haitiano semelhante ao bicho-papão ou o homem do saco.
Ou seja, dá para imaginar o motivo. Quando os tontons macoutes estavam por perto, as pessoas podiam desaparecer "do nada".
Opositores se refugiavam em embaixadas ou saíam do país. Centenas foram presos ou mortos só no primeiro ano.
Duvalier vivia em alerta constante no belo Palácio Nacional, edifício todo branco que, apesar da nítida influência da arquitetura dos franceses, os antigos colonizadores, era um orgulho histórico do país. Desenhado e construído por mãos haitianas, ele ficava no terreno da antiga sede colonial.
No palácio, havia uma guarda de 600 homens, além de 350 soldados que cercavam a área. Duvalier ainda tinha 5 mil milicianos à disposição, mas o coração de sua força bruta eram os 25 mil tontons macoutes.
Uma reportagem de 1971 do jornal americano "The New York Times" descreveu os membros da polícia secreta como "bandidos de óculos escuros cuja lealdade fanática a Duvalier era recompensada com uma licença virtual para torturar e matar". Era comum eles degolarem as vítimas, deixando-as amarradas a cadeiras ou penduradas em praças para "dar o exemplo".
Esses inimigos políticos exilados não desistiram do Haiti. Entre 1958 e 1970, eles fomentaram rebeliões para tentar derrubar Papa Doc. Todas fracassaram.
Porém, depois do primeiro desses golpes abortados, o ditador sofreu um infarto que quase o empacotou. Os Estados Unidos, então aliados do Haiti (porque Papa Doc era anticomunista, e isso bastava durante a Guerra Fria), enviaram especialistas para tratar o doutor.
Durante o período de afastamento, o comando do país ficou a cargo de Clément Barbot, homem de confiança de Duvalier e o grande líder do Tonton Macoute. Não deu muito certo.
O braço-direito que virou inimigo
Barbot também tinha um apelido. O talento em eliminar inimigos rendeu-lhe a alcunha "O Silenciador".
Essencial ao regime de Papa Doc, fazia sentido ele ocupar a presidência provisoriamente. Só que isso acabou criando suspeitas na mente do ditador.
Papa Doc, ao retornar, estava convencido de........
