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Bia Haddad: 'Estava entrando em buraco que não sei como iria sair'

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10.09.2026

Bia Haddad: 'Estava entrando em buraco que não sei como iria sair'

"Paguei um preço absurdo para poder chegar aonde eu cheguei. Meu desgaste mental foi realmente fora da normalidade."

"Chegou um ponto que isso foi insustentável. Comecei a remar contra o mar. Sentia que eu não ia pra frente."

"Não aceitaria nunca mais conseguir ver um jogo de tênis ou nunca mais pisar numa quadra. Cheguei ao ponto de passar esses pensamentos na minha cabeça."

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É justo dizer que Beatriz Haddad Maia abriu o coração quando sentou com jornalista nesta quinta-feira, no escritório da Asics, em São Paulo, para conversar sobre seu afastamento do circuito, suas sensações e seus planos para o futuro, que incluem uma cirurgia no ombro esquerdo e um curso em Harvard.

A ex-top 10 e semifinalista de Roland Garros em 2023, falou sobre o peso que carregou mentalmente nos últimos anos, quando sofreu muitas derrotas doídas e não encontrou um caminho para inverter a situação, mesmo mudando de equipe e cidade.

Aos 30 anos, a paulista pensa em voltar e tem datas em mente e parece ter aproveitado o tempo para olhar para sua carreira, sua vida, suas emoções e entender o que provocou seu esgotamento. Planeja o retorno aos torneios, mas também já cuida dos preparativos para seu casamento (ainda sem data marcada). E contou como foi ver e se emocionar de perto com a entrada de Roger Federer no Hall da Fama Internacional do tênis. Leia as melhores partes abaixo:

A decisão de se afastar do circuito

Eu acho que foi uma soma de alguns fatores. Desde 2024, eu já venho tendo alguns momentos em quadra que eu vinha conflitando um pouco com o pensamento. Paguei um preço absurdo para poder chegar aonde eu cheguei. O meu desgaste mental foi realmente fora da normalidade. Talvez ter saído dessa zona de conforto tenha sido o maior preço que eu paguei para chegar no topo e, de fato, foi algo que eu não me arrependo nada, mas que em 2024, antes de eu fazer quartas de final do US Open e ganhar Seul naquela sequência.

Quem estava me acompanhando viu que eu vinha de algumas derrotas também. Se não me engano, eu estava saindo do top 20 também. E eu flertei também com pensamentos. Eu também tive momentos que eu me questionei, e ali vieram resultados, então o fato de ter vindo resultado foi algo que também ofuscou um pouco aquilo que eu estava sentindo, aquela sensação e o quanto o meu momento estava sendo duro para mim.

E 2025 foi já um ano muito duro para mim. Eu já estava muito esgotada mentalmente, e na minha carreira acho que eu passei por tantas dificuldades, eu passei por tantas adversidades, que eu nunca me fragilizei, eu nunca tentei aceitar, eu nunca tentei parar, eu nunca tentei me dar o tempo para entender aquilo. E também não está sendo fácil para mim, uma pessoa que é muito ambiciosa, que está sempre fazendo muita coisa e buscando um sonho. Parar não é fácil. Mas em 2025, eu tentei algo diferente, tentei incluir o Max (Maxime Tchoutakian, francês que se juntou brevemente ao time de Bia), já tinha sido algo diferente, este ano (2026) eu mudei de equipe. Também foi algo diferente, mudando de equipe e indo para a Europa. Eu fiquei mais de três meses, quase quatro meses na Europa direto. Acho........

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