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O que está por trás do 'Efeito Netflix'

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14.05.2026

O que está por trás do 'Efeito Netflix'

Netflix. O compromisso está, literalmente, no nome: a junção de "net" com flicks, gíria em inglês para filmes. Ainda assim, o improvável pode estar acontecendo — e não em uma direção só. Nas últimas semanas, a companhia fez movimentos que parecem contraditórios, mas que, na prática, apontam para uma diversificação de seus negócios.

O mais recente foi o anúncio feito pela empresa de que investiu US$ 135 bilhões (R$ 678 bilhões) em produções na última década e que teria contribuído com US$ 325 bilhões (R$ 1,6 trilhão) para a economia mundial — valor equivalente a quase todo o PIB anual do Chile —, gerando 425 mil empregos.

O streaming está chamando isso de "Efeito Netflix", uma campanha que marca os dez anos da expansão global do serviço de vídeo online para mais de 190 países — praticamente todo o mundo.

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O relatório completo, com 112 páginas, é quase um manifesto político-industrial. Depois de um período no qual a empresa foi bombardeada ao tentar comprar parte da Warner Bros. Discovery e em meio a questionamentos sobre cotas e regulamentação, a Netflix escolheu deliberadamente falar de assuntos como PIB, empregos, impactos em economias regionais, transporte, turismo e circulação cultural.

O trecho mais importante talvez seja justamente a insistência recorrente em "local". O documento inteiro repete a palavra 24 vezes, ao afirmar que cada produção da Netflix é uma produção local. Isso não é linguagem de marketing para consumidor: é também para assumir a narrativa em um ambiente de pressão regulatória.

"O timing é cirúrgico", explica Pedro Teberga, professor da Faculdade Einstein e especialista em negócios digitais, em entrevista à coluna. "Brasil, Europa e Canadá estão todos em momentos decisivos de votação sobre regulação de streaming. O relatório chega como argumento preventivo: antes de nos taxar, veja o que já geramos espontaneamente".

Nesse sentido, a Netflix diz que, em 2025, 70% do consumo veio de assinantes vendo títulos de países que não eram os seus, e que conteúdos não falados em inglês passaram de menos de 10% há dez anos para mais de um terço hoje. É um argumento contra a ideia de imperialismo cultural puro: ela quer se vender como máquina de........

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