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Quando o escândalo apaga o campeão

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Quando o escândalo apaga o campeão

No domingo, o Cruzeiro conquistou o Campeonato Mineiro pela 39ª vez.

Gol de Kaio Jorge. Festa da torcida. Título merecido.

No mesmo dia, o Palmeiras levantou seu 27º Campeonato Paulista, com Abel Ferreira ampliando uma sequência impressionante de conquistas.

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E quase ninguém falou disso.

O que dominou os noticiários, as redes sociais e até a imprensa internacional foi a briga generalizada que encerrou a final do Mineirão. Vinte e três expulsões. Jogadores, comissões técnicas, seguranças e diretores em campo. A Polícia Civil abriu investigação. O árbitro encerrou a partida um minuto antes do previsto.

O título virou nota de rodapé. O escândalo virou o assunto.

Quando a narrativa vira crise

Isso não é sobre futebol.

É sobre algo que acontece nas empresas todos os dias.

Uma equipe constrói resultado durante meses. Bate metas, supera expectativas, acumula conquistas. Mas por baixo dos números, há divergências, discussões e conflitos de ego. E então um episódio de descontrole, uma decisão mal tomada, uma crise mal gerida, reescreve tudo. Não importa o histórico. O que fica na memória é o que saiu errado.

Nas organizações, existe uma lógica que raramente aparece nos manuais: reputação não é somente o que você construiu. É também o que resta quando algo dá errado.

Nas empresas, esse mecanismo é implacável. Um vazamento interno, uma demissão mal comunicada, um conflito que extrapolou os limites, e a narrativa muda. Os clientes, os colaboradores e o mercado não lembram dos trimestres positivos. Lembram do episódio. E a velocidade com que isso acontece, no mundo das redes sociais e da informação instantânea, não dá margem para improviso.

A falha individual antes da crise coletiva

Antes de qualquer crise coletiva, há sempre uma falha individual. Alguém perdeu o controle de si antes de perder o controle da situação. É assim no futebol. É assim nas empresas.

O que vimos em campo foi uma falha coletiva de autoliderança. Cada jogador, em algum momento, abriu mão do controle de si mesmo.

E quando isso acontece, o título vira nota de rodapé. A liderança, no banco dos réus.

A briga que ninguém vê

Mas o campo de futebol é apenas o cenário mais visível. Há brigas mais silenciosas e igualmente destrutivas, que acontecem longe das câmeras.

No mundo corporativo, as brigas mais destrutivas raramente aparecem no noticiário esportivo. Às vezes aparecem no noticiário econômico.

Esta semana, o Grupo Pão de Açúcar, dono das redes Pão de Açúcar e Extra, pediu recuperação extrajudicial com dívidas de R$ 4,5 bilhões.

Os executivos à frente da empresa parecem saber que decisões difíceis precisam ser tomadas, e essa é uma delas.

Mas a crise não começou agora.

Ela tem raízes em uma briga que aconteceu mais de uma década atrás, quando o conflito entre o fundador Abilio Diniz e o grupo francês Casino pelo controle da companhia deixou marcas que o balanço ainda carrega.

No mesmo dia, a Raízen — maior produtora de etanol do mundo — protocolou a maior recuperação extrajudicial da história do Brasil: R$ 65 bilhões. Dois casos num único dia. Coincidência ou sintoma?

Para negócios menores, a dinâmica é a mesma, mas o fim costuma ser mais trágico. Boa parte das empresas que fecham no Brasil não fecha por falta de clientes ou por crise de mercado. Fecha por briga entre sócios. Começa com divergências sobre o futuro, passa por desconfiança na gestão do caixa e termina com a dissolução de um sonho que parecia sólido. Não por falta de oportunidade. Por falta de harmonia.

O Cruzeiro é campeão mineiro. O Palmeiras é campeão paulista. Esses fatos existem e são reais.

Mas a pergunta que o mundo corporativo precisa fazer não é sobre o título. É sobre o que acontece quando o jogo termina de forma inesperada, quando o ambiente sai do controle, quando o pior de uma equipe aparece no momento mais visível.

Toda organização vai passar por uma crise. A questão não é se, é quando. E o que diferencia as que preservam sua reputação das que não preservam não é a ausência de erros. É a qualidade da resposta quando os erros acontecem.

O campeão ficou em segundo plano.

E o que ficou foi a imagem que ninguém pediu para guardar.

Isso também acontece nas empresas. Todos os dias.

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

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