Caoa Changan estreia em abril com SUV flex fabricado no Brasil; conheça
Caoa Changan estreia em abril com SUV flex para brigar por volume
Em julho de 2025, esta coluna antecipou com exclusividade que a Changan chegaria ao Brasil em parceria com a Caoa. O que era plano agora vira operação concreta: a união sino-brasileira começa oficialmente a atuar em abril, com vendas e rede sob controle direto da Caoa.
Inicialmente, todas as concessionárias serão próprias da Caoa. A estratégia reforça o posicionamento da empresa, que prefere manter domínio sobre preço, experiência e pós-venda.
A companhia também faz questão de diferenciar o novo projeto das operações passadas com Renault e Hyundai, que depois seguiram de forma independente. A promessa é de parceria de longo prazo, mais próxima do modelo adotado com a Chery, iniciado em 2017.
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SUV flex Uni-T será 1º carro no Brasil
O primeiro modelo de volume será o Uni-T. E aqui há uma decisão estratégica clara: ao contrário de BYD e GWM, que estrearam com eletrificados, a Caoa Changan inicia sua trajetória com um SUV médio flex, a combustão, mirando diretamente o coração do mercado.
Com 4,51 metros de comprimento e 2,71 m de entre-eixos, o modelo tem porte semelhante ao Toyota Corolla Cross. No mercado chinês, utiliza motor 1.5 turbo de cerca de 188 cv e câmbio de dupla embreagem. O câmbio é automático de sete velocidade com dupla embreagem.
Para o Brasil, a aposta é combinar desempenho competitivo com preço agressivo, uma marca registrada da Caoa, como mostrou recentemente o Tiggo 5X lançado a partir de R$ 119.990. Para o Uni-T, a expectativa é um posicionamento entre os Caoa Chery Tiggo 7 e Tiggo 8, ou seja, na faixa de R$ 170 mil.
A cabine é um dos pontos de destaque. O Uni-T traz duas telas integradas de 10,3 polegadas, desenho interno moderno e foco em tecnologia embarcada e conforto. Em um segmento em que espaço e conectividade pesam cada vez mais na decisão de compra, o pacote visual e tecnológico pode ser um diferencial importante. Completam a lista de equipamentos câmera 360 graus e um pacote completos de assistências à condução semiautônomas. Resta saber se o carro será conectado.
A produção será nacional, na fábrica da Caoa em Anápolis (GO), no mesmo complexo onde já são montados modelos da Chery, que usufrui de benefícios ficais direcionados a plantas automotivas no Norte, Nordeste e Centro-Oeste.
Mas o regime adotado não será o tradicional CKD. A operação começa no modelo "peça a peça", como o do GWM, no qual componentes são importados individualmente e tributados conforme critérios específicos, incluindo a existência de fornecedores locais. Pneus e baterias, por exemplo, já terão fornecimento nacional desde o início. A lógica permite elevar gradualmente o índice de nacionalização à medida que a cadeia brasileira é desenvolvida.
Além do Uni-T, a parceria entre Caoa e Changan também inclui a Avatr, marca posicionada no segmento premium e voltada exclusivamente a modelos eletrificados. O primeiro produto confirmado para o Brasil é o Avatr 11, atualmente em pré-venda por valores que variam entre R$ 600 mil e R$ 650 mil, a depender da configuração.
O modelo mira um público bastante específico e disputa espaço com elétricos de alto desempenho, como o Porsche Taycan. A estratégia é clara: enquanto a linha Uni deve responder por volume, a Avatr trabalha construção de imagem e margem.
O Avatr 11 é um SUV cupê elétrico equipado com dois motores que somam 585 cv. Mesmo com 2.365 kg, acelera de 0 a 100 km/h em 3,9 segundos. A bateria tem 116,8 kWh de capacidade e garante autonomia declarada de até 680 km no ciclo NEDC.
Segundo a empresa, mais de 30 unidades já foram reservadas na primeira fase de pré-venda, com outras 20 em negociação. Até o momento, sete carros já foram entregues aos primeiros clientes brasileiros.
Fábrica inteligente na China
A visita à fábrica da Changan em Chongqing, na China, ajuda a dimensionar o porte do parceiro escolhido. Só o setor de carroceria ocupa 43 mil metros quadrados e reúne 471 robôs trabalhando de forma integrada. São quatro tipos diferentes atuando simultaneamente na montagem estrutural. A planta produz cerca de 1.300 carros por dia, praticamente um veículo por minuto.
A inspeção de qualidade combina verificação por amostragem com checagens ampliadas de pontos críticos, especialmente nas soldas. Eventuais falhas detectadas alimentam o sistema para evitar repetição no processo produtivo. A fábrica produz veículos para três marcas do grupo: Avatr, voltada ao segmento mais sofisticado; Deepal; e a Nepo.
Além do Uni-T, a linha Uni inclui o sedã Uni-V e o SUV maior Uni-K, ambos cotados para o mercado brasileiro em uma segunda etapa. Outro nome na fila é o CS75 Plus, SUV médio maior que o Tiggo 8 Pro, com três telas integradas no painel e entre-eixos de 2,80 m.
Enquanto prepara a chegada do primeiro modelo de volume, a Caoa Changan também já abriu pré-reserva do Avatr 11, que posiciona a marca em um patamar mais alto. A estratégia indica que o grupo pretende atuar em duas frentes: volume com motor flex e imagem com modelos eletrificados.
O início da operação marca mais um capítulo na ofensiva chinesa no Brasil, mas com uma diferença relevante: desta vez, a entrada não se dá apenas via importação. A aposta é começar já com produção local e estrutura própria de rede.
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