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Povo xokleng planta 140 mil araucárias para salvar espécie e demarcar terra

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20.06.2026

Povo xokleng planta 140 mil araucárias para salvar espécie e demarcar terra

Zág (pronuncia-se "zã") é a palavra xokleng para araucária. A árvore, típica da Mata Atlântica nas regiões Sul e Sudeste do Brasil, vem se desenvolvendo no planeta há cerca de 200 milhões de anos. Cada árvore-fêmea produz dezenas de pinhas, que, por sua vez, carregam centenas de pinhões.

O pinhão é a semente da araucária (Araucaria angustifolia), consumida por pelo menos 22 espécies de animais, além da humana, que tem nela uma fonte de nutrientes e de renda. Para alguns povos, porém, vai além da alimentação, fazendo parte da cultura, da história e dos mitos de origem. É o caso do povo Xokleng, em Santa Catarina. Nas aldeias, a árvore até serve de base para nomes de pessoas.

"As araucárias são sagradas para nós. Não tem como contar a história do nosso povo sem falar sobre ela. O nosso mito de geração diz que o animal de proteção foi feito a partir da araucária, então ela aparece já na primeira história", conta Carl Gakran, diretor-executivo do Instituto Zág, que o coordena com sua esposa, Isabel, vice-presidente e diretora ambiental.

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Carl decidiu agir em prol das araucárias em 2016, quando descobriu que a espécie estava ameaçada de extinção, em razão do desmatamento, da expansão urbana e da exploração madeireira. Estima-se que, atualmente, as florestas de araucária ocupem menos de 3% de sua área original, que cobria grande parte dos estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, além de pequenos agrupamentos em São Paulo, Minas Gerais e Espírito Santo. Os Xokleng pretendem reverter esse cenário.

"Assim como a araucária corre risco de extinção, o meu povo corre risco de extinção, e, por consequência, a língua e a cultura correm risco de extinção", afirma Carl, que pertence ao povo Xokleng (autodenominado Laklãnõ). Historicamente, seu território abrangia toda a região Sul do Brasil. Hoje limita-se a uma terra indígena criada sobre a área dos municípios de José Boiteux, Doutor Pedrinho, Vitor Meireles e Itaiópolis, em Santa Catarina. É a Terra Indígena Ibirama-Laklãnõ, onde vivem cerca de duas mil pessoas distribuídas em dez aldeias, pertencentes aos povos Laklãnõ/Xokleng, Guarani e Kaingang.

Ao saber que a árvore sagrada para seu povo figurava na lista de espécies em perigo da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) como criticamente ameaçada — e vulnerável na lista da flora ameaçada de extinção do Rio Grande do Sul —, Carl conta que se sentiu angustiado e começou a pensar no que poderia fazer para ajudar a espécie. O desejo inicial foi plantar dez árvores no terreno de casa — cujas mudas ele mesmo fez —, mas não parou por aí. Com a ajuda de amigos durante oficinas, eles receberam apoio para produzir pouco mais de mil mudas. Seguindo o conselho de seu........

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