menu_open Columnists
We use cookies to provide some features and experiences in QOSHE

More information  .  Close

Como ataque inédito de harpia alerta para risco de desmatamento

27 0
23.05.2026

Como ataque inédito de harpia alerta para risco de desmatamento

Em outubro de 2023, no interior da Guiana Francesa, uma mulher de 39 anos foi atacada por uma harpia (Harpia harpyja), considerada a maior águia do mundo. Em uma região com extensas áreas de floresta preservada, interações como essa, entre humanos e animais silvestres, são extremamente raras.

O ataque ocorreu a cerca de 35 km da vila mais próxima, próximo ao rio Kourou, durante uma caminhada de um grupo com 11 turistas e um guia local. A águia havia pousado a cerca de seis metros de altura quando foi avistada. Sem sinais aparentes de agressividade vindos da ave, parte do grupo seguiu caminho, enquanto a mulher e seu parceiro permaneceram por alguns instantes para fotografá-la. Quando o casal retomava a trilha, a harpia desceu e atingiu a parte posterior da cabeça da turista.

Desde 2016, o biólogo Everton Miranda se dedica ao monitoramento de harpias, consideradas uma espécie-bandeira para a conservação da Amazônia. Ele reforça o quanto esses casos são raros: "É extremamente incomum, assim como é para outros grandes predadores da América do Sul, como a onça ou crocodilos", explica. Miranda assinou um artigo científico recente que relata o caso, junto com especialistas franco-guianenses. Este foi o primeiro episódio de ataque na história a ser registrado e descrito por pesquisadores.

Wálter MaierovitchQual a motivação italiana para não extraditar Zambelli

Qual a motivação italiana para não extraditar Zambelli

Milly LacombeConvocação tem problemas maiores do que Neymar

Convocação tem problemas maiores do que Neymar

Carla AraújoQueda de marqueteiro de Flávio expõe racha interno

Queda de marqueteiro de Flávio expõe racha interno

Tatiana FarahPT e PSB avançam para fechar palanque em PE

PT e PSB avançam para fechar palanque em PE

Na academia, há uma resistência em publicar casos como esse, segundo o biólogo. "Há um temor de que dar visibilidade para ataques aumente o estigma contra o animal, porque nós sabemos que há muitos abates de harpias relacionados à predação de animais domésticos", relata. Segundo o argumento mais comum, compartilhar histórias de ataques a humanos poderia incentivar uma onda de caça ao animal, cuja população continua em declínio sobretudo devido ao desmatamento e à fragmentação de florestas.

Por que contar essa história, então? "Porque os casos de interações perigosas existem e colonos não leem artigos científicos", responde Miranda, de forma objetiva. Além disso, o biólogo defende que a visibilidade desses casos também pode incentivar a criação de políticas públicas voltadas à interação humano-animal.

Interações perigosas?

Segundo o registro feito pelos pesquisadores, a turista se jogou ao chão ao perceber o........

© UOL