China vê petróleo do Brasil como saída para estrangulamento do Irã
China vê petróleo do Brasil como saída para estrangulamento do Irã
A porta-voz Mao Ning enfatizou hoje a preocupação da China com o "transbordamento" da guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã. Mais exatamente, com a retaliação do Irã contra as bases americanas na Arábia Saudita e outros países árabes. Sublinhou a ameaça ao estreito de Hormuz, "importante rota comercial de energia".
Os iranianos são fornecedores importantes de petróleo para a China, mas os sauditas fornecem mais. Pela ordem, a Rússia responde por 19%, a Arábia Saudita por 14%, a Malásia e o Iraque, 12%. É pela Malásia, de modo informal, que chega a maior parte do petróleo iraniano à China.
Avalia-se abertamente, em Pequim, que as ações americanas no Irã e antes na Venezuela visam estrangular o fornecimento de petróleo ao país. Uma conta mantida na plataforma Weibo pela rede oficial CCTV destacou no domingo que "o caos" ou "as flutuações que os EUA estão tentando criar artificialmente não bastam para controlar o cenário internacional de energia".
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E que a resposta chinesa, como aconteceu com a soja na guerra comercial, passa pelo Brasil. Com o pré-sal, o país subiu para o sexto lugar entre os fornecedores, na lista da autoridade alfandegária chinesa. Quase metade (45%) do petróleo exportado pelo Brasil no ano passado foi para cá.
A conta da CCTV, Yuyuan Tan Tian, usada pelo governo para análises urgentes sobre temas econômicos e geopolíticos, destaca que o suprimento mundial de petróleo vai superar a demanda neste ano devido ao "rápido aumento da produção em emergentes de petróleo como o Brasil".
"A expansão do centro de gravidade da cadeia global de suprimentos amortece consideravelmente" o impacto das intervenções militares de Donald Trump. As próprias companhias americanas, como a Exxon, estariam priorizando ativos "localizados em regiões com baixo risco político como o Brasil" para compensar o esgotamento de seus ativos no território americano.
Outros países lembrados pelo Yuyuan Tan Tian são Argentina, Guiana e Canadá, além do Norte da África.
Uma segunda resposta chinesa à tentativa de estrangulamento energético seria dada pela própria transição para energia limpa. "Especialmente no campo industrial, que determina a competitividade industrial e a segurança nacional, a estrutura de energia atravessa mudanças profundas", concluiu.
O jornal inglês Financial Times, parte do grupo japonês Nikkei, publicou que o Departamento de Defesa dos EUA pressiona as empresas de inteligência artificial, como OpenAI, para desenvolverem sistemas que encontrem vulnerabilidades nas redes de transmissão de energia e outras instalações chinesas, para uso em guerra cibernética contra a China.
Questionada, Mao Ning respondeu que os EUA são "há muito tempo a principal fonte de instabilidade no ciberespaço, realizando ciberataques contra a infraestrutura crítica da China antes mesmo da IA". E agora "chega a solicitar que empresas atendam a alvos geopolíticos e militares, uma prática que tem graves impactos globais".
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