China envia mensagem ao privilegiar orçamento diplomático sobre militar
China envia mensagem ao privilegiar orçamento diplomático sobre militar
O primeiro-ministro Li Qiang discursou hoje e a notícia imediata foi o anúncio, para este ano, de uma meta chinesa de "crescimento do PIB de 4,5 a 5%, ao mesmo tempo buscando resultado melhor na prática". Nos últimos anos ele prometia "em torno de 5%", ou seja, retirou o peso de alcançar 5%.
A equipe chinesa da Economist Intelligence Unit, consultoria da revista de mesmo nome, descreveu como uma mudança de "Número Primeiro" para "Qualidade Primeiro". Ou ainda: "Pequim não vê altas taxas como algo necessariamente positivo, por estimular autoridades locais a exagerar o crescimento com projetos faraônicos".
A atenção se voltou então para uma outra meta anunciada. A China vai elevar em 7% o orçamento militar. Mas o que em princípio soou como parte da corrida armamentista global, ao menos no noticiário americano, na China foi tratado como evidência do oposto: no ano passado, a meta era de 7,2%, agora caiu um pouco.
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O influente analista Hu Xijin, ex-editor do Global Times, de Pequim, hoje afastado até da coluna que mantinha no jornal do Partido Comunista, compara com os gastos de EUA e outros que estão "bombando, em pânico". Lembra que a proporção dos gastos militares chineses em relação ao PIB é de menos de 2%:
"Como país populoso e ponto de convergência geopolítica, a China precisa do maior equilíbrio possível em suas políticas. E o primeiro ponto é o equilíbrio entre desenvolvimento e segurança. Não podemos destinar todo o dinheiro para qualidade de vida, como alguns defendem, nem dobrar rapidamente o orçamento da defesa, como outros preconizam por ansiedade."
Reforçando o contraste com a aparente contenção militar, o Ministério das Finanças chinês propôs ao Congresso Nacional do Povo, que vai até a sexta da semana que vem, elevar o orçamento para diplomacia neste ano em 9,3%, contra os 8,4% de 2025. É o quinto aumento consecutivo.
O desempenho da "diplomacia com características chinesas" no último ano recebeu elogios no discurso de Li Qiang. Embora tenha obtido pouco êxito nas guerras da Europa Oriental e do Oriente Médio, vai conseguindo manter o quintal da China, seja no Oceano Pacífico, Sudeste Asiático ou Ásia Central, em paz.
Desde começou a guerra de EUA e Israel contra o Irã, que vai completar uma semana, a diplomacia chinesa se esforça para afirmar a neutralidade do país, inclusive negando o suposto fornecimento de armamentos ou de relatórios de inteligência aos iranianos, como veiculado no Ocidente.
Segundo Da Wei, diretor do Centro para Segurança e Estratégia Internacional da Universidade Tsinghua, em Pequim, "a China não é a aliada do Irã que os analistas ocidentais imaginam: eles projetam sua própria mentalidade nos outros e depois reclamam quando os outros não agem como eles".
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