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Algoritmo, algoz do ritmo: como as plataformas sequestraram nosso tempo

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29.03.2026

Algoritmo, algoz do ritmo: como as plataformas sequestraram nosso tempo

Esses dias, participei da gravação de um podcast sobre "vida offline" e anotei no meu caderno (sim, sou uma pessoa "analógica": minha agenda é impressa e anoto muitas coisas em muitos cadernos) uma questão que me surgiu quando estávamos no meio da conversa.

A apresentadora fez uma pergunta para o convidado que dividia a mesa conosco: Neste mundo superfragmentado, de experiências particulares, em que cada um de nós está nos nossos celulares, acessando múltiplas realidades, como fica a ideia de verdade? Existe uma verdade partilhada? E eu anotei em meu caderno "verdade sensível".

De fato, do ponto de vista dos temas, agendas e conteúdos, ou ainda quando pensamos em como era a realidade antes da internet e da plataformização da vida, tínhamos, talvez (ou seria uma fantasia de totalidade?) um conjunto de mecanismos midiáticos e veículos de comunicação que, de alguma forma, nos contavam as mesmas histórias.

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E nós, públicos e audiências, assistíamos aos mesmos programas, nos mesmos horários; ou líamos os mesmos jornais e revistas; e, de alguma maneira, isso dava uma sensação (e vários estudos de mídia vão nessa linha) de que havia uma unidade, uma partilha de interesses, algo que poderíamos chamar de uma verdade partilhada. O tal consenso, ou senso comum ou ainda o "debate público" ou uma "agenda" de temas considerados relevantes e que todos partilhávamos. A informação funcionava como uma espécie de "cola social".

Isso não deixou de existir. Os veículos de mídia seguem selecionando, filtrando e........

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