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O cálculo eleitoral da guerra no Irã para Trump

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O cálculo eleitoral da guerra no Irã para Trump

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"Pode ir na ONU, pode ir na Liga da Justiça, no raio que o parta, que eu não tô nem aí." Essa frase foi dita pelo governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), em 2024, em resposta a críticas à atuação da polícia militar na Baixada Santista. E não, você não está na newsletter errada, vamos falar dos Estados Unidos.

É que essa frase de Tarcísio me vem à mente toda vez que alguém me pergunta (quase todo dia) quem poderia moderar ou conter o atual presidente dos EUA, Donald Trump.

A pergunta veio com força nos últimos dias, depois que o líder da Casa Branca lançou uma ofensiva militar contra o Irã, no dia 28. Na prática, em menos de dois meses, ele decapitou dois governos estrangeiros (embora troca de regime, até agora, não tenha se concretizado em nenhum caso). Um retrospecto impressionante.

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Trump, ele mesmo, disse ao jornal "The New York Times" que "somente minha moralidade, minha própria mente" pode limitar seu poder global.

Houve quem imaginasse que o Judiciário dos EUA faria esse trabalho. E em que pese a derrubada das tarifas pela Suprema Corte, uma derrota considerável pra política econômica internacional Trump, eu mostrei aqui o quanto na verdade o judiciário viabilizou as agendas de Trump.

O Congresso, em que ele tem maioria bicameral, tampouco demonstrou muito apetite por moderá-lo. No caso mais emblemático de cisão, os parlamentares contrariaram o presidente ao forçar a abertura dos arquivos processuais do influente bilionário pedófilo — que fora amigo de Trump — Jeffrey Epstein.A ONU, citada por Tarcísio, o G7, o G20, a União Europeia ou qualquer outro organismo internacional/multilateral tampouco se mostrou guarda-corpo efetivo às iniciativas de Trump.

A batalha em que as chances estão contra Trump

Mas se tornou quase unanimidade nos EUA antever as eleições de meio de mandato, em novembro, como a oportunidade de mudar o curso da história do segundo mandato de Trump, que até agora vem se firmando como presidente norte-americano que mais brandiu o poder da Casa Branca nas últimas décadas. Sem o Legislativo a seu favor, como agora, as opções de Trump ficam muito mais limitadas.

Estarão em disputa todos os 435 assentos da Câmara dos Representantes e 33 das cem cadeiras do Senado.

Historicamente, esses pleitos deixam nus os presidentes. O partido do ocupante da Casa Branca perdeu em 20 das 22 eleições de meio de mandato desde 1938, segundo um levantamento publicado pelo Brookings Institute.

Logo, a contenda já não tinha nada para ser um passeio para o republicano. Mas piora. Trump enfrenta seus piores índices de aprovação político. Uma pesquisa YouGov/The Economist mostrou esta semana que 51% "desaprovavam fortemente" o presidente, e 57% o desaprovavam. E das 76 pesquisas de opinião feitas este ano nos EUA sobre qual dos dois partidos deveriam liderar o Congresso, em apenas uma os republicanos pontuaram melhor. Historicamente bem avaliado em economia e imigração, Trump se vê agora diante de mais desaprovações do que aprovações nestes temas.

Mas se quisermos nos afastar das pesquisas de opinião que, verdade seja dita, erraram fora da margem em 2024, outro bom indicador das dificuldades de Trump são os sites de apostas.

Segundo o Polymarket, um mercado de previsões baseado em criptomoedas, é de 44% a probabilidade de um Senado controlado pelos republicanos e uma Câmara controlada pelos democratas, enquanto a probabilidade de uma vitória democrata em ambas as casas é de 40%, um aumento de 19 pontos percentuais desde julho de 2025.

O impacto da guerra nas urnas e vice-versa

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Nesse contexto, há quem veja nos mísseis Tomahawk que Trump despejou no Irã em sua Operação Fúria Épica não apenas os alvos no país em si, mas uma estratégia eleitoral para tentar reverter o prospecto eleitoral ruim. Uma jogada de extremo risco, um tudo ou nada.

Ao iniciar uma guerra no Oriente Médio, Trump mobiliza duas forças: por um lado, o histórico patriotismo militarista dos EUA. Por outro, o recente e forte trauma coletivo dos norte-americanos das "chamadas guerras sem fim", como foram batizados os conflitos dno Iraque e no Afeganistão pela base Make America Great Again (Maga), o movimento político que impulsionou Donald Trump.

Diversas pesquisas de opinião do país têm apontado que, em média, a cada cinco americanos, três desaprovam a investida militar no Irã.

Mas um levantamento do YouGov mostrou que, embora republicanos e democratas estivessem mais próximos em suas posições imediatamente após os ataques no sábado, eles se distanciaram nos dias subsequentes. Entre os democratas, 78% desaprovavam na segunda (2), contra 70% no sábado (28). Entre republicanos, 76% aprovavam na segunda (2), contra 68% no sábado. Tudo indica, então, que eleitores partidarizados tenderão a se opor — algo típico da polarização que caracteriza a política americana há décadas.

A resposta para a charada parece estar nos independentes, que devem ser o fiel da balança de novembro. E nesse grupo, o cenário não é bom para Trump: a desaprovação, que já era de 52% no sábado, subiu para 55% na segunda.

Com dificuldades para justificar claramente as necessidades da guerra, a Casa Branca tampouco consegue estimar quando ela pode acabar. Agora, a previsão é de que os ataques sigam por ao menos algo como quatro ou seis semanas. Mas a falta de clareza de objetivos e prazos pode ser estratégica.

Para além de tirar o termômetro das frentes de batalha, Trump deverá acompanhar de perto as pesquisas de opinião - que serão impactadas pelo número de baixas americanas no conflito, por exemplo. Números ruins para as disputas dos republicanos no Congresso podem abreviar o esforço de guerra dos EUA no Irã.

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

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