Briga no Mineiro deve gerar suspensões pesadas restritas a Minas Gerais
Briga no Mineiro deve gerar suspensões pesadas restritas a Minas Gerais
A final do Campeonato Mineiro de 2026 entre Cruzeiro e Atlético-MG terminou com uma cena lamentável: uma briga generalizada entre jogadores já nos acréscimos do segundo tempo. O episódio, que saiu de Minas e correu o mundo pelas redes sociais e veículos de imprensa, deve agora sair do campo e entrar no âmbito da Justiça Desportiva.
O caso será analisado pelo Tribunal de Justiça Desportiva de Minas Gerais (TJD-MG) após denúncia da Procuradoria, com base nas imagens da partida, na súmula da arbitragem e nos relatórios oficiais.
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A confusão começou aos 51 minutos do segundo tempo, após um choque entre Christian e o goleiro Everson dentro da área do Atlético-MG. O goleiro do Galo segurou o atleta do Cruzeiro que estava no chão.
A partir daí, jogadores dos dois times passaram a discutir e rapidamente a situação evoluiu para uma briga generalizada, com empurrões, socos e chutes.
Entre as imagens que repercutiram após o jogo está a voadora do volante Lucas Romero em Everson, além de outros atletas que também aparecem nas imagens participando do tumulto.
A partida ficou paralisada por mais de dez minutos antes de ser encerrada.
O que pode acontecer na Justiça Desportiva
A análise do caso caberá à Procuradoria do TJD-MG, que poderá oferecer denúncia com base no Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD).
Entre os enquadramentos mais prováveis estão:
Art. 254-A - agressão físicaSuspensão de 4 a 12 partidas.
Art. 257 - participação em rixa, conflito ou tumultoSuspensão de 2 a 10 partidas (no futebol, normalmente com mínimo de 6 jogos).
A definição dependerá da conduta individual de cada atleta, já que nem todos os envolvidos na confusão necessariamente praticaram agressões. O especialista em Justiça Desportiva e colunista do Lei em Campo Matheus Laupman afirma que a gravidade do episódio exige uma análise cuidadosa das imagens.
"O que aconteceu foi grave. É preciso analisar com calma as imagens e punir de acordo com o CBJD aqueles que se envolveram de maneira efetiva no episódio. Os atletas podem ser punidos por infração ao artigo 257(participar de tumulto, rixa ou conflito) do CBJD, cuja a pena poderá ser suspensão de 2 a 10 partidas
Filipe Souza, advogado especializado em direito desportivo, entende que o enquadramento mais provável é por agressão física. Segundo ele, o número de jogadores punidos pode ser elevado, dependendo da interpretação das condutas. "Muitos jogadores podem ser punidos, e a pena pode ultrapassar vários jogos." Na mesma linha vai o professor de direito desportivo e colunista do Lei em Campo Carlos Ramos:"os atletas podem ser punidos com base no art. 254-A por prática de agressão física (suspensão de 4 a 12 partidas) e no art. 257 por participação em rixa ou tumulto (suspensão de 6 a 10 partidas), ambos do CBJD."
Nem todos os envolvidos necessariamente serão punidos
O CBJD também prevê que a punição deve ser individualizada, de acordo com o comportamento de cada atleta.
Segundo os especialistas ouvidos pelo Lei em Campo a Procuradoria irá analisar quem iniciou agressões, participou da briga, quem apenas tentou separar e quem entrou no tumulto saindo do banco
Essa distinção é fundamental para definir o enquadramento disciplinar.
Suspensão vale para o Mineiro ou para o Brasileiro?
Uma dúvida comum após episódios como esse é se eventuais suspensões poderiam atingir também o Campeonato Brasileiro. Segundo Filipe Souza, a regra geral do CBJD determina que a penalidade seja cumprida na mesma competição.
"O texto expresso do CBJD fala em cumprir a penalidade na mesma competição em que aconteceu a infração. Então, em princípio, isso iria para o Campeonato Mineiro, não para o Brasileiro."
Carlos Ramos lembra que "ainda que a punição disciplinar "acompanhe" o atleta, a decisão continua tendo eficácia "territorial" limitada à abrangência do TJD-MG. Caso troquem de clubes, na prática, a punição só poderia ser cumprida caso a transferência ocorra para outro clube de MG."
O próximo passo é a análise da Procuradoria do TJD-MG, que decidirá se apresenta denúncia contra os envolvidos.
Caso a denúncia seja oferecida, o processo será julgado pelo tribunal desportivo estadual, que deve aplicar suspensões de várias partidas aos atletas envolvidos, dependendo da gravidade das condutas identificadas nas imagens.
A final do Campeonato Mineiro pode, assim, ganhar novos capítulos fora de campo nos próximos dias.
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