Mudanças climáticas: como elas podem afetar quem tem um câncer?
Mudanças climáticas: como elas podem afetar quem tem um câncer?
Foi em agosto de 2017 que o furacão Harvey rodopiou na costa do Texas (EUA) e, em vez de levar seus ventos de 209 a 250 km/h para o interior do continente enquanto enfraquecia, como seria o esperado, ficou estacionado no sudoeste do estado por quatro intermináveis dias, preso por correntes de ar incomuns que frearam o seu deslocamento.
As tempestades que o acompanharam deixaram boa parte das ruas de Houston sob 1 m de água, que arrastava substâncias cancerígenas das fábricas e refinarias para as casas da quarta maior cidade americana.
A bióloga molecular brasileira Letícia Nogueira assistiu a tudo bem de perto porque atuava no Departamento de Saúde do Texas. No início deste mês, em Chicago (EUA), durante o encontro anual da Asco (Sociedade Americana de Oncologia Clínica), da qual agora é diretora científica, ela contou que "soube em primeira mão do seu impacto disso nas pessoas com câncer".
Juca KfouriHouston, o Japão é um problema?
Houston, o Japão é um problema?
Daniela LimaMichelle demonstra que tem mais a falar a Flávio
Michelle demonstra que tem mais a falar a Flávio
Ronilso PachecoMichelle dá recado a Flávio, sem profecias ou amém
Michelle dá recado a Flávio, sem profecias ou amém
Alicia KleinEquador se classifica com gol 'brasileiro'
Equador se classifica com gol 'brasileiro'
Quando ocorre uma catástrofe dessas, a dificuldade parece ser igual para todo mundo que precisa de um hospital: ruas inundadas podem impedir o deslocamento, sem contar a competição por leitos e, às vezes, até simples agulhas, com as vítimas diretas do desastre natural. "Mas os pacientes oncológicos são ainda mais vulneráveis a esses fenômenos, que se tornam mais comuns e andam durando mais do que antes", garantiu Letícia.
Ela mostrou um estudo comparando pessoas que enfrentavam tumores: elas apresentaram um risco 19% maior de morrer durante a terapia nos períodos de furacão do que o de quem se tratou contra o mesmo tipo de câncer, na mesma instituição, mas em outra época qualquer.
As mudanças climáticas aumentam a ameaça de a doença aparecer também, como ressaltou Robert Allan Hiatt, professor de epidemiologia e bioestatística da Universidade da Califórnia, em São Francisco (EUA). "As queimadas, agravadas pelas secas que temos experimentado, produzem uma quantidade absurda de poluentes que permanecem concentrados no ar por meses. Eles também são carcinogênicos",........
