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Câncer de mama: por que algumas mulheres têm fadiga anos após o tratamento?

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Câncer de mama: por que algumas mulheres têm fadiga anos após o tratamento?

Não é de hoje que a literatura médica registra: a mulher que superou o câncer de mama pode experimentar uma fadiga inexplicável, às vezes tanto tempo depois que nem a associa à doença do passado. Sente o corpo pedir descanso quando sobe uma ladeira, faz uma faxina, sai para dançar.

Será que está muito fora de forma? A pergunta que ela se faz soa plausível . Mas os treinos não duram muito, porque no meio deles a força vai embora de mãos dadas com o fôlego. Talvez essa mulher descubra que tem o que os especialistas chamam de intolerância ao exercício. Mas, se o médico resolve investigar o que estaria por trás da canseira, não encontra nada. Os exames do coração, que seriam capazes de justificar o quadro, se mostram absolutamente normais. Doideira?

Até agora, as pessoas talvez achassem que esse tipo de queixa era só uma impressão. Ou sinal de falta de ânimo, preguiça até. Recentemente, porém, uma pesquisa liderada pelo IDOR (Instituto D'Or de Pesquisa e Ensino), publicada no Journal of the American Heart Association, desfez esse engano, ao dar uma espetadela em 23 mulheres tratadas de câncer de mama oito anos antes ou mais e de 17 outras mulheres que nunca tiveram um tumor maligno, na lateral da perna, logo abaixo. Bem ali, quem diria, encontraram uma das causas da fadiga sem fim.

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Aprendi com João Izaias, pós-doutorando em Ciências Médicas do IDOR, que o procedimento faz parte do exame microneurografia, que avalia diretamente a atividade do sistema nervoso simpático, também conhecido como autônomo, porque não obedece à nossa vontade para acelerar os batimentos cardíacos, por exemplo. "Nessas pacientes, os exames mostram que a força bombeamento do coração está normal, ou seja, elas não têm insuficiência cardíaca, embora possam manifestá-la no futuro", conta.

Formado em Educação Física, ele se especializou em fisiologia e a pesquisa é faz parte de sua tese de pós-doutorado. "O que descobrimos com a microneurografia é que existe uma hiperatividade desse sistema nervoso simpático com uma frequência de disparo 31% superior ao que encontramos no grupo de mulheres que nunca passaram pelo tratamento do câncer de mama."

Allan Kluser Sales, pesquisador do IDOR que coordenou o trabalho — realizado em parceria com o InCor (Instituto do Coração da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo), a UFF (Universidade Federal Fluminense), da Unifesf (Universidade Federal de São Paulo) e Universidade do Colorado, nos Estados Unidos — explica melhor a técnica. "Existe o nervo fibular que passa próximo do osso da perna. Posiconamos um microeletrodo nessa região para o computador captar seus disparos", diz ele. "Quanto maior a frequência, maior a atividade. E é sabido, por sua vez, que a atividade muito alta está ligada a um risco cardiovascular elevado."

Diga-se de passagem que a escolha de João Izaias para investigar o tumor de mama teve dois motivos. Um deles foi o fato de ser um dos cânceres mais incidentes no Brasil e no mundo. Ou seja, provavelmente não são poucas as mulheres que sobreviveram à doença que estão se queixando de fadiga. Outra razão é que muitas pacientes superam o câncer, mas apresentam doença cardiovascular anos depois. Infarto, outras doenças cardíacas e AVC (acidente vascular cerebral) são a principal causa de morte nessa população.

A área da cardioncologia, que estuda o impacto do câncer sobre o coração, é relativamente nova. Segundo o doutor Kluser Sales, fisiologista também com formação em Educação Física, muitas perguntas permanecem sem resposta. Mas ele acredita que a pesquisa recém-publicada traga clareza sobre a fadiga das mulheres que tiveram tumor mamário.

"Se a atividade do sistema nervoso simpático está extremamente aumentada, há uma vasoconstrição que atrapalha a chegada de sangue para os músculos esqueléticos", explica. "Daí, a intolerância ao exercício." Faz sentido: sem abastecimento sanguíneo adequado, eles não suportam o esforço.

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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