Andreas Pereira conseguiu um feito: ampliar o papelão
Andreas Pereira conseguiu um feito: ampliar o papelão
Andreas Pereira não deveria mais poder jogar o Campeonato Paulista. Uma suspensão que seria condizente com o que ele fez no domingo passado, em Itaquera, e que serviria de exemplo para que ninguém mais tentasse trapacear no futebol.
Se não bastasse o fato em si, Andreas deu uma entrevista para o repórter André Hernan, na última quinta, dizendo que só estava "tirando lama da chuteira". Aquele tapa na cara da sociedade, né? Porque todo mundo sabe que ele foi lá cavar um buraco no chão para atrapalhar a cobrança do pênalti que havia sido marcado para o Corinthians - se efetivamente atrapalhou ou não é absolutamente irrelevante para o debate. Não é ou deixa de ser errado por ter ou não eficiência.
Andreas teve a chance de se retratar. Poderia ter falado algo do tipo: "acontece muito no futebol, mas a gente tem a chance de aprender e nunca mais farei na vida". Mas não. Ele insinua que outros jogadores sabem bem que o que ele fez é normal, se faz mesmo e é coisa de otário não fazer, otário é quem não toma cuidado para que o outro não faça. E aí mente descaradamente falando da lama.
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Ele piorou o papelão. Se alguém tinha dúvida de que uma punição exemplar deveria ser aplicada a ele, agora não deveria ter mais. A atitude de Andreas deve e precisa ser vilanizada, para que não se repita.
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Há vários modos utilizados no futebol para distorcer o jogo, para atingir a vitória a qualquer preço. Simulações de faltas, goleiros que fingem dores a cada defesa (quando o time está ganhando), cera, gandulas que somem, tem de tudo. O futebol está sempre à frente inventando maneiras de burlar a regra, e os tribunais às vezes aparecem, às vezes, não. Se aparecessem sempre, talvez os modos mudariam.
Quando Léo Jardim, do Vasco, foi expulso no Brasileiro passado por fazer aquilo que todos odiamos, alguns elogiaram o árbitro, mas o "mundo do futebol" achou um exagero. Nenhum goleiro foi expulso depois disso por fazer aquilo que todos sabemos que estão fazendo: matar tempo. E os goleiros continuam... matando tempo.
O que Andreas Pereira fez no campo, dizem, é passível apenas de cartão amarelo no campo. Isso já é muito discutível. A regra fala em "fazer marcas no campo", a regra não consegue prever todo o tipo de antijogo que a criatividade humana é capaz de inventar. Se o árbitro interpretar como vermelho, é vermelho. Recentemente, jogadores do Marrocos, na final da Copa Africana, foram lá dar sumiço na toalha que o goleiro de Senegal usava para secar as luvas. Olhando desta maneira, isolada, la letra fria da regra, era, no máximo, cartão amarelo. Mas, ao olhar para o contexto todo, a Confederação Africana resolveu suspender os jogadores marroquinos das próximas partidas válidas por competições continentais.
Os tribunais podem e dever intervir, extrapolando a ação do árbitro de campo, que tem de tomar decisões rápidas e que não consegue ver tudo ao mesmo tempo. O clubismo, que nada mais é do que um fanatismo cego, faz com que muitos palmeirenses se revoltem com as críticas a Andreas. "Mas e o Bruno Henrique? E o fulano? E o beltrano?". É aquela velha mania do torcedor de achar sempre que seu time joga e existe "contra tudo e contra todos", especialmente o palmeirense.
Sinto muito, mas tenho um recado para os "meu-clube-centristas". Esse caso nada tem a ver com o Palmeiras. Esse caso tem a ver com o futebol e do que queremos como sociedade. Queremos que as trapaças sejam institucionalizadas? Queremos passar a mensagem de que afetar o campo de jogo será algo corriqueiro, apenas uma inocente malandragem? Ou queremos melhorar?
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