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Ligação tardia e ausência de sangue sugerem omissão de tenente-coronel

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Ligação tardia e ausência de sangue sugerem omissão de tenente-coronel

O acionamento tardio das autoridades e a ausência de marcas de sangue nas roupas sugerem uma possível omissão de socorro do tenente-coronel Geraldo Leite à esposa, a policial militar Gisele Alves Santana, 32, encontrada morta com um tiro na cabeça.

Geraldo teria ligado à polícia às 7h57, cerca de 30 minutos depois do disparo que matou a esposa. "Alô, tenente-coronel Neto, a minha esposa é policial feminina, ela se matou com um tiro na cabeça. Manda o resgate e uma viatura aqui agora", falou em ligação à emergência da Polícia Militar.

O homem também divergiu de testemunha sobre horário em que esposa foi baleada. Ele declarou à polícia que entrou no banheiro para tomar banho por volta das 7h e, cerca de um minuto depois, ouviu o barulho de tiro na casa.

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Uma vizinha, no entanto, diz que o disparo foi feito às 7h28. No inquérito policial, ao qual a coluna teve acesso, a mulher falou ter acordado exatamente neste horário por ter ouvido um "estampido único e forte". Ela diz ter certeza da hora por ter olhado imediatamente para o celular.

Na sequência, Geraldo fez mais duas reiteradas chamadas. Ainda de acordo com os registros policiais, o sistema recebeu uma outra chamada dele às 08h02 e mais uma às 8h08. As duas primeiras motos de resgate dos bombeiros chegaram entre 8h09 e 8h10, mas a vítima foi socorrida pelo helicóptero Águia da PM às 9h11.

Testemunhas acreditam que o oficial não prestou socorro imediato à esposa. Três agentes, um bombeiros e dois funcionários do condomínio que viram Geraldo durante a ocorrência alegam que ele não apresentava marcas de sangue pelo corpo e pelas roupas. Não há comprovação técnica, por enquanto, a respeito disso.

As pessoas que estiveram no local disseram que o tenente-coronel estava sem camisa e com as mãos "completamente limpas". A polícia entende que os resquícios poderiam indicar que ele prestou os primeiros socorros na vítima, que tinha muito sangue em sua volta.

Ainda quando os policiais estavam na casa, Geraldo tomou um banho antes de ir ao hospital. Geraldo pediu a um capitão e tenente da PM, que se encontravam no local, para se banhar alegando que ficaria muito tempo longe de casa. O pedido foi negado inicialmente, mas, depois foi liberado, conforme boletim de ocorrência.

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Defesa argumenta que Geraldo não figura como "investigado, suspeito ou indiciado". "Desde o início das apurações, tem colaborado com as autoridades competentes e permanece à disposição para o esclarecimento dos fatos", escreveu o advogado Eugênio Malavasi em nota.

Gisele morreu no hospital no dia 18 de fevereiro. Após manobras de reanimação, a mulher foi socorrida em estado grave e levada ao Hospital das Clínicas, na região central da capital, onde sua morte foi constatada às 12h04. A vítima deixa uma filha de 7 anos, de um relacionamento anterior.

Em depoimento, Geraldo afirmou que ele e a mulher viviam em quartos separados e que, no dia dos fatos, se dirigiu ao quarto de Gisele por volta das 7h para dizer que queria se separar. O homem afirmou ter dito que ainda a amava, mas entendia ser melhor se separar porque o relacionamento não estava funcionando. De acordo com ele, após a declaração, a esposa se levantou de forma "exaltada", mandou ele sair do quarto e bateu a porta. Ele alega ter pegado a toalha para tomar banho em seguida.

A morte de Gisele foi registrada inicialmente como suicídio, mas passou a ser apurada como "morte suspeita" no dia 20 de fevereiro. O caso está tramitando sob sigilo, segundo o Tribunal de Justiça, por se tratar de um inquérito policial que apura suposto crime de feminicídio. Assim, outros detalhes não poderiam ser passados.

O corpo da PM foi exumado e investigadores aguardam resultado. Também foi solicitada perícia no local, bem como exame para identificar a presença de pólvora nas mãos de Gisele e Geraldo. Uma pistola Glock .40 da Polícia Militar de São Paulo, três celulares, dois carregadores, dois cartuchos e uma bermuda de Geraldo foram apreendidos.

Mãe da vítima diz que relacionamento do casal era conturbado

Mãe da vítima disse à polícia que o relacionamento da filha com Geraldo era "extremamente conturbado". Ela afirmou que o tenente-coronel era uma pessoa abusiva e muito violenta, que proibia a vítima de usar batom, salto alto e perfume, além de cobrá-la rigorosamente para realizar várias tarefas domésticas.

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Segundo a mulher, um dia a filha mencionou que gostaria de se separar e o tenente-coronel teria enviado uma imagem para ela. No registro, ele apontava uma arma para a própria cabeça.

A mãe disse que a filha ligou para ela chorando muito dias antes da morte, afirmando que não estava aguentando a pressão e queria se separar de Geraldo. A soldado ainda pediu que o pai a buscasse em casa. Ele tentou ir ao local, mas ela mudou de ideia e disse que ainda estava conversando sobre o término.

Centro de Valorização da Vida

Caso você esteja pensando em cometer suicídio, procure ajuda especializada como o CVV (Centro de Valorização da Vida) e os CAPS (Centros de Atenção Psicossocial) da sua cidade. O CVV funciona 24 horas por dia (inclusive aos feriados) pelo telefone 188, e também atende por e-mail, chat e pessoalmente. São mais de 120 postos de atendimento em todo o Brasil.

Em caso de violência, denuncie

Ao presenciar um episódio de agressão contra mulheres, ligue para 190 e denuncie.

Casos de violência doméstica são, na maior parte das vezes, cometidos por parceiros ou ex-companheiros das mulheres, mas a Lei Maria da Penha também pode ser aplicada em agressões cometidas por familiares.

Também é possível realizar denúncias pelo número 180 — Central de Atendimento à Mulher — e do Disque 100, que apura violações aos direitos humanos.

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

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