A responsabilidade de Lula no tarifaço de Trump
A responsabilidade de Lula no tarifaço de Trump
Depois do anúncio do tarifaço de 25% sobre importações de produtos brasileiros pelo governo Trump, que entrou em vigor na quarta-feira (22), agora acrescido de uma nova tarifa de 12,5% por supostas falhas na fiscalização de trabalho escravo, o presidente Lula retomou com força total as bravatas usadas para se referir à questão desde as primeiras sobretaxas impostas ao país, em abril do ano passado.
Em vez de procurar desescalar a crise e trabalhar para ampliar o mercado das empresas nacionais nos Estados Unidos —cujo PIB (Produto Interno Bruto), de US$ 32 trilhões, representa cerca de 25% da economia mundial e 12 vezes a do Brasil— Lula colocou mais lenha na fogueira.
Voltou a falar em "soberania nacional", disse que o Brasil vai recorrer à OMC (Organização Mundial de Comércio) e renovou a ameaça de aplicar a tal da Lei da Reciprocidade contra os EUA. A ideia da represália, que havia sido abandonada dias após o anúncio do tarifaço de 25%, de acordo com o vice-presidente Geraldo Alckmin, foi ressuscitada agora, com o repique tarifário anunciado pelo governo americano, a ser efetivado nesta sexta-feira (24).
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Lula também voltou a atribuir aos Bolsonaros a responsabilidade pela elevação das tarifas, chamando-os de novo de "traidores da pátria", e falou que "há males que vêm para o bem", escancarando suas intenções de explorar o episódio na campanha eleitoral. Como se o mercado americano fosse desprezível e pudesse ser substituído facilmente nas exportações brasileiras, disse ainda que o Brasil "vai procurar outros compradores" para seus produtos e que ele vai travar uma "guerra da verdade" com Trump sobre a questão.
De quebra, reforçando a estratégia de Lula de martelar o tarifaço nas eleições e reiterando seu discurso "nacionalisteiro", o PT ainda lançou a campanha "o Brasil não se entrega", lembrando os tempos do "ianques go home", o slogan anti-imperialista bradado pela esquerda tupiniquim contra os EUA, nos anos 1950 e no início da década de 1960.
Mas, apesar da reação exasperada de Lula e do PT, a entrada em vigor do tarifaço acabou desmascarando a narrativa eleitoreira propagada pelo presidente e por sua tropa de choque, com apoio da mídia amiga, de seus aliados na academia e dos "porta-vozes" do assessor especial Celso Amorim e de seu pupilo Mauro Vieira, ministro das Relações Exteriores, sempre prontos a propagar suas versões dos fatos por........
