Na Argentina que quis ser branca e europeia o racismo é contra os marrons
Na Argentina que quis ser branca e europeia o racismo é contra os marrons
Nas últimas semanas, a Argentina, que neste domingo disputará pela segunda vez consecutiva a final da Copa do Mundo, foi alvo de um ataque e uma campanha internacional contra o país, tratado por seus haters quase como campeão do racismo.
A violência desse ataque é uma excelente oportunidade para ouvir acadêmicos e militantes sociais argentinos sobre a origem do racismo no país, como ele funciona entre os argentinos, sua história, sua realidade atual e sua dimensão.
Quatro especialistas ouvidos pela reportagem do UOL concordaram num ponto central: o racismo argentino se concentra em setores da sociedade que pertencem a grupos favorecidos pelo projeto de país traçado entre final do século XIX e princípios do XX com o objetivo claro de construir uma Argentina branca — e o mais europeia possível.
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Mas a Argentina nunca foi nem será branca, e as vítimas do racismo são os chamados "marrons".
Um dos principais problemas quando se fala de racismo na Argentina é que a sociedade, em sua maioria, nega o racismo. Nega, também, um passado no qual, após a independência do país, em 1816, houve um genocídio de indígenas em regiões como a Patagônia, comandado por uma elite que pretendeu construir uma sociedade europeizada, na qual os brancos tinham privilégios.
O racismo colonial e a escravidão — abolida pela Constituição de 1853, seguindo os passos do Chile e do Uruguai — atravessaram a história argentina, aponta Ana Vivaldi, antropóloga e professora na Universidade British Columbia, no Canadá, e pesquisadora na Universidade de Manchester, na Inglaterra.
"A elite de Buenos Aires venceu a batalha contra os indígenas, e naquele momento começou o projeto de transformar a Argentina num país branco e europeu. Não se trata de aniquilar uma raça, mas sim de ter uma sociedade na qual os brancos fossem predominantes. Em toda a América Latina existiram projetos similares, mas a diferença é que em nenhum país houve uma imigração europeia tão expressiva. A população afro nunca deixou de existir, e nos setores populares se multiplicaram os marrons. As políticas de reconhecimento........
