menu_open Columnists
We use cookies to provide some features and experiences in QOSHE

More information  .  Close

Na Argentina que quis ser branca e europeia o racismo é contra os marrons

13 0
18.07.2026

Na Argentina que quis ser branca e europeia o racismo é contra os marrons

Nas últimas semanas, a Argentina, que neste domingo disputará pela segunda vez consecutiva a final da Copa do Mundo, foi alvo de um ataque e uma campanha internacional contra o país, tratado por seus haters quase como campeão do racismo.

A violência desse ataque é uma excelente oportunidade para ouvir acadêmicos e militantes sociais argentinos sobre a origem do racismo no país, como ele funciona entre os argentinos, sua história, sua realidade atual e sua dimensão.

Quatro especialistas ouvidos pela reportagem do UOL concordaram num ponto central: o racismo argentino se concentra em setores da sociedade que pertencem a grupos favorecidos pelo projeto de país traçado entre final do século XIX e princípios do XX com o objetivo claro de construir uma Argentina branca — e o mais europeia possível.

PVCFifa transforma entrevista em Fan Fest bagunçada

Fifa transforma entrevista em Fan Fest bagunçada

Juca KfouriO que estão fazendo com o futebol é um crime

O que estão fazendo com o futebol é um crime

SakamotoTrump acusa conspiração enquanto lança uma

Trump acusa conspiração enquanto lança uma

Diogo CortizBrasil entra na 'ONU da IA' liderada pela China

Brasil entra na 'ONU da IA' liderada pela China

Mas a Argentina nunca foi nem será branca, e as vítimas do racismo são os chamados "marrons".

Um dos principais problemas quando se fala de racismo na Argentina é que a sociedade, em sua maioria, nega o racismo. Nega, também, um passado no qual, após a independência do país, em 1816, houve um genocídio de indígenas em regiões como a Patagônia, comandado por uma elite que pretendeu construir uma sociedade europeizada, na qual os brancos tinham privilégios.

O racismo colonial e a escravidão — abolida pela Constituição de 1853, seguindo os passos do Chile e do Uruguai — atravessaram a história argentina, aponta Ana Vivaldi, antropóloga e professora na Universidade British Columbia, no Canadá, e pesquisadora na Universidade de Manchester, na Inglaterra.

"A elite de Buenos Aires venceu a batalha contra os indígenas, e naquele momento começou o projeto de transformar a Argentina num país branco e europeu. Não se trata de aniquilar uma raça, mas sim de ter uma sociedade na qual os brancos fossem predominantes. Em toda a América Latina existiram projetos similares, mas a diferença é que em nenhum país houve uma imigração europeia tão expressiva. A população afro nunca deixou de existir, e nos setores populares se multiplicaram os marrons. As políticas de reconhecimento........

© UOL