É uma Brasa, mora!
"É uma brasa, mora!". Se você já usou ou ouviu essa expressão, significa que você viveu os tempos da Jovem Guarda, de Roberto e Erasmo Carlos, nos anos 60. Portanto, tem direito a estacionar em vaga preferencial no shopping. Tirando isso, você só usará a palavra "brasa" se for designer de camisas da seleção brasileira.
O futebol já foi a maior paixão do brasileiro. Hoje, o brasileiro gosta mesmo é de polemizar.Depois que surgiram as redes sociais, somos especialistas em qualquer assunto. Até a semana passada, éramos experts em guerra no Oriente Médio. No momento, sabemos tudo de moda e design.E tudo tem que acabar em polêmica. Mais que polêmica, tem que ter polarização.
No dia 21 de Março, a Nike lançou a nova linha de uniformes da seleção brasileira. Antigamente, quando um novo uniforme era lançado, a discussão era: é feio ou bonito? Agora a discussão é: esse uniforme é de direita ou de esquerda?
Wálter MaierovitchMendonça acerta; STF será técnico ou político?
Mendonça acerta; STF será técnico ou político?
PVCO Brasil de Ancelotti aposta tudo em Raphinha e Vini Jr.
O Brasil de Ancelotti aposta tudo em Raphinha e Vini Jr.
CasagrandeRomário e suas tentativas de censurar quem o critica
Romário e suas tentativas de censurar quem o critica
SakamotoCastro renunciou para tentar continuar mandando
Castro renunciou para tentar continuar mandando
Desde a eleição de Bolsonaro para presidente, a camisa canarinho passou a ser identificada com a direita. Não só a camisa, mas até nossa bandeira passou a representar um lado. Ultimamente, a bandeira perdeu força como símbolo do slogan "Deus, Pátria, Família", já que esse pessoal resolveu adotar a bandeira americana como símbolo pátrio. Mas isso é assunto pra outra coluna.
As redes sociais pegaram fogo quando a designer Rachel Denti apresentou os novos uniformes. Os detalhes que quase ninguém notou foram inspirados em animais da nossa fauna, como o sapo venenoso, o jaguar e a anaconda. Talvez seja um resgate das "feras" da seleção canarinho de 1970. Mas uma fera ficou de fora: Pelé. No seu lugar estava o Pelé do basquete, Michael Jordan. Isso porque a linha Jordan, da Nike, patrocina nossos uniformes e seu símbolo está estampado na nossa segunda camisa, a azul. Muita gente adoraria ver ali o logo do Rei do Futebol, mas a marca Pelé, recém repatriada por Neymar e seu pai, ainda não tem bala pra bancar o material esportivo de nosso escrete. Seria lindo. Quem sabe um dia a gente não chega lá? Enquanto isso, vamos ao nosso esporte preferido, a polarização.
Um dos pontos que mais chamou atenção na apresentação das vestimentas, foi quando Rachel, uma brasileira com um certo sotaque de quem mora lá fora, resolveu incorporar a expressão "Brasa" pra se referir ao nosso país. Segundo ela, Brasa é muito falado nas ruas e nos estádios, por isso agora os jogadores vão ter a honra de usar. Que estádio é esse que Rachel frequenta? Nunca ouvi nenhum torcedor gritando: "Vai, Brasa!". E olha que eu sou habitué de arquibancada, e já até estive em alguns jogos de Copas do Mundo. Talvez estivesse focado nos jogos e não tenha percebido.
Mais curioso que a expressão que a designer tirou da cartola foi a discussão apaixonada que pipocou nas redes sociais.
Uns dizem que "Brasa" é uma tentativa de relembrar o uniforme vermelho, cancelado antes mesmo de chegar às lojas. Brasa é fogo, fogo é vermelho e vermelho…é coisa de comunista.
Outra explicação é que "Brasa" remete a pau-brasil, a árvore que abundava em nossas terras nos tempos da chegada dos portugueses por aqui e que deu origem ao nosso "Brasil". Não deixa de ser verdade, mas nem Cabral nem ninguém depois dele apelidou nosso país de Brasa. Pero Vaz Caminha nunca escreveu Brasa em suas cartas para demonstrar intimidades com as terras recém-descobertas, ops!, recém invadidas. Cá entre nós, Brasa tá mais pra nome de churrascaria…
A Nike tem uma missão espinhosa: resgatar a identificação da camisa canarinho com a extrema direita e devolvê-la a toda nação. Mas os eleitores que não votaram em Bolsonaro e nem pensam em eleger seu filho em outubro não se sentem muito confortáveis correndo o risco de serem confundidos como tal.
A campanha ainda traz outras camadas de controvérsia. Os filmes dos comerciais são ambientados em favelas, buscando uma identificação com a população de baixa renda. Acontece que a população de baixa renda não conseguiu se identificar com o alto preço das peças que estão mais para Faria Lima do que para Capão Redondo.
Enquanto isso, uma outra polêmica cresce a cada dia entre os torcedores. Não tem a ver com o design dos uniformes, e sim com quem estará dentro deles, lutando para trazer o hexa. Afinal de contas, Neymar deve ou não deve ser convocado pra Copa?
Deixe aqui sua opinião sobre Neymar, sobre o uniforme e sobre o "Brasa".Será que justamente porque ninguém quer, esse apelido vai pegar?
Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.
** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.
O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL.
Hariany Almeida surge de biquíni na neve durante viagem à Finlândia
Gordura no fígado: uma pandemia perigosa em crianças de 5 a 10 anos
Carla Diaz posa de fio-dental à beira da piscina: 'Folga na minha quinta'
'Primo' declarou patrimônio de R$ 7 milhões em espécie sem nenhuma renda
André Mendonça vira aliado improvável em calvário de Messias pelo STF
