Encomenda à noite e delivery em 15 minutos: qual o preço disso?
Encomenda à noite e delivery em 15 minutos: qual o preço disso?
Nos últimos meses, a cena passou a ser cada vez mais comum aqui em São Paulo. Compras que fazemos em marketplaces, como Amazon, Shopee e Mercado Livre, têm chegado em casa quase sempre no mesmo dia, e geralmente em horários não comerciais. São pacotes deixados antes das 8h da manhã ou mesmo depois das 9h da noite.
Quem toca o interfone nunca veste o uniforme da empresa e nunca dirige uma van com a marca da empresa, ou seja, nunca é um funcionário da empresa: é um terceirizado. Um elo final, quase invisível, de uma corrente que ninguém quer assumir.
A gente recebe a encomenda, agradece, fecha a porta, e não pensa mais no assunto. Mas, do outro lado do continente, alguém resolveu pensar. Em Nova York, o prefeito Zohran Mamdani declarou recentemente apoio a um projeto de lei que quer obrigar gigantes como a Amazon a contratar diretamente os entregadores, em vez de empurrá-los para empresas terceirizadas que assumem o ônus (e o risco) no lugar delas.
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A Amazon reagiu com força: teria gasto mais de US$5 milhões em campanha contra a medida, alegando que ela encareceria cada pacote e ameaçaria milhares de empregos. Se a lei passar, Nova York será a primeira cidade americana a regular esse modelo.
O detalhe que me interessa não é a lei em si: é o contraste. Enquanto lá se discute o custo humano da entrega instantânea, aqui a gente ainda comemora cada novo recorde de velocidade como se fosse progresso puro. Vale a pergunta: o que essa pressa toda diz sobre nós?
A capital paulista virou o campo de batalha de uma batalha bilionária: a guerra do delivery. De um lado, o iFood, dono de quase todo o mercado. Do outro, duas gigantes chinesas que chegaram com o caixa transbordando: a 99Food, da DiDi, e a Keeta, da Meituan, que........
