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Em defesa da regulação, e até do fim, do Airbnb

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09.04.2026

Em defesa da regulação, e até do fim, do Airbnb

Você já conheceu alguém que possui mais de 180 imóveis?Eu descobri recentemente. Ela se chama Débora.Débora não é bilionária nem investidora: ela é uma orgulhosa administradora de Airbnb.Ou seja, os apartamentos (em sua maioria aqueles studios com menos de 30m²) não pertencem a ela, mas a investidores que compraram dezenas de casas pela cidade para locação temporária.Débora, portanto, é quase uma gerente de hotel.Mas cujos quartos não ficam todos no mesmo edifício, e sim espalhados por São Paulo.Débora também faz as vezes de recepcionista, concierge...Só que em vez de ficar horas em pé atrás de um balcão, ela faz tudo pelo celular.Este é o retrato do que o Airbnb se tornou.

O Airbnb nasceu em 2007 como uma solução de "bed and breakfast" em São Francisco (EUA).Aquele tipo de hospedagem intimista tão comum na gringa, onde você dorme e toma café da manhã na casa de alguém.Era uma ideia legal: transformar um quarto vago ou apartamento inteiro em renda extra.Apesar de existirem outras plataformas similares a ele, o nome Airbnb pegou e ele é líder de sobra neste universo.Tornou-se uma das maiores empresas de tecnologia do mundo, avaliada em cerca de US$ 75 bilhões.E um dos principais vilões por trás da crise de moradia que assola as grandes cidades.Posso falar que sou parte do problema: fui usuário do Airbnb por 13 anos.Segundo a própria plataforma, já fiquei em 26 casas em diferentes países.A vida de trabalhador remoto, quase nômade digital, permitiu-me isso nos últimos anos.Então pode acreditar: o que vou dizer aqui não é o discurso de quem nunca usou o serviço.É o de quem o viu crescer e afirma que, hoje, ele precisa ser regulado ou até mesmo acabar.

Minha primeira experiência na plataforma foi na minha segunda viagem para a Europa.Decidi testar o serviço por ser a melhor solução para quem queria explorar o mundo com pouca grana.Na primeira vez que fui até o Velho Mundo eu reservei hotéis suspeitos de beira de estrada.Era o que cabia no meu orçamento.Já havia testado o site Couchsurfing, mas tinha vergonha de dormir no sofá de alguém.Por isso o Airbnb surgiu como a solução perfeita daquele Gustavo sonhador.Era a oportunidade de ficar num apartamento de verdade, num bairro de verdade, com uma pessoa de verdade do outro lado.Eu cheguei a fazer amizades com hosts parisienses.A tomar café da manhã com famílias londrinas. A ouvir histórias de quem morava naqueles lugares há décadas.Era turismo com alma.Hoje é o turismo na sua pior faceta: nas minhas últimas experiências, fiquei em apartamentos pequenos impessoais,........

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