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Quem é a treinadora alemã que virou pioneira e agora sonha com a Bundesliga

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Quem é a treinadora alemã que virou pioneira e agora sonha com a Bundesliga

Sabrina Wittmann começa a conversa com um grupo de jornalistas — entre eles, este colunista — pedindo desculpas pelo inglês. "Já faz 18 anos que morei nos Estados Unidos, então tenham paciência comigo", diz, antes de falar por quase meia hora, de forma clara, sobre sua trajetória.

Aos 34 anos e com mais da metade de sua vida dedicada ao futebol, a alemã já está na história do esporte em seu país. Desde 2024, ela é técnica do Ingolstadt, clube que já esteve na Bundesliga e atualmente disputa a terceira divisão da Alemanha.

Quando assumiu o cargo, Wittmann era a primeira mulher a treinar uma equipe masculina profissional no país. Dois anos depois, ela continua sendo a única.

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A conversa com a treinadora aconteceu na sexta-feira (6), horas depois de o clube ter anunciado a renovação de seu contrato. Na entrevista, ela afirmou que o maior sonho era conseguir a Licença Pro — certificado que a permite trabalhar em qualquer clube do mundo — e que, agora, está em busca de novos objetivos.

"Preciso de um sonho novo. Subir com a equipe para a segunda divisão é um objetivo. E, quem sabe um, chegar à Bundesliga".

Leia os principais trechos da conversa com Sabrina Wittmann:

O que faz uma boa treinadora?

Quando eu era mais jovem, achava que era tudo sobre o que acontece no campo. Mas, à medida que cresci como treinadora, percebi que provavelmente é mais gestão de pessoas do que qualquer outra coisa.

Eles são seres humanos — não são apenas jogadores de futebol. São pais, têm filhos, têm famílias. Por outro lado, também é sobre o campo, e às vezes você precisa tomar decisões impopulares. Você gosta dos jogadores e do seu time, mas mesmo assim precisa decidir coisas do ponto de vista do futebol. A parte mais difícil é encontrar o equilíbrio entre essas duas coisas.

Como foi o início da sua carreira como treinadora?

Comecei a jogar futebol quando tinha 14 anos porque onde eu vivia não havia meninas jogando. Eu tinha talento, mas não era boa o suficiente para jogar no mais alto nível.

Fui para Kentucky, nos EUA, como estudante de intercâmbio e minha mãe de acolhimento era professora em uma escola de ensino fundamental. Eles precisavam de uma assistente técnica, então eu ajudei. Esse foi meu primeiro passo como treinadora e eu simplesmente me apaixonei por essa parte do futebol.

O futebol ainda é um meio muito masculino. Quais foram os principais obstáculos que você enfrentou?

Eu tive muita sorte com as pessoas ao meu redor porque nunca me avaliaram apenas como uma mulher. Eu sempre estive focada em ser a melhor versão de mim mesma. E nunca tive problemas com jogadores. É algo que se discute muito mais fora do time do que dentro dele.

A verdade é que precisamos ser realmente muito boas para sermos aceitas. Então eu sempre estive focada em ser o melhor que posso ser. O futebol era um sonho, mas não é a única coisa que eu queria fazer. Trabalhei na Audi e estudei Direito no início. O futebol foi algo a mais, eu não vivia em função dele.

O que significa para você ter a Licença Pro, que te permite trabalhar no mundo todo?

A Licença Pro era um objetivo de vida. Quando comecei a fazer minhas licenças na Alemanha, sempre foi um grande sonho ter a Licença Pro um dia, porque isso significa que você pode treinar qualquer time do planeta.

Quando terminei a licença em janeiro, fiquei muito feliz. Tínhamos um grupo de professores muito experientes, alguns trabalhando na Champions League ou na Bundesliga, e aprendemos muito uns com os outros.A parte mais interessante para mim foi o autocuidado e a gestão pessoal. Aprendi a me entender melhor, a saber lidar com a pressão, a refletir sobre mim mesma e conseguir dar energia ao time.

Você foi a primeira treinadora de um time masculino profissional. Como foi essa pressão no início?

No começo, havia muitas câmeras e imprensa e eu sabia que era a única mulher. Ingolstadt não é exatamente o centro da Alemanha quando se trata de futebol, então percebi que era algo especial.

Sinceramente, eu tive medo que tudo pudesse acabar mais rápido do que eu gostaria. Mas disse a mim mesma para simplesmente fazer o trabalho e não falar muito sobre isso. A pressão é algo a que você se acostuma. Quando perdíamos jogos no início era extremamente difícil, mas agora é algo normal.

Como você definiria o seu estilo de jogo?

Eu adoro futebol intenso. Ter um bom ritmo com a bola e sem a bola. Gosto de ter a bola, então a posse é importante, mas também é importante pressionar alto e recuperar a bola o mais rápido possível. Ao mesmo tempo, é preciso ter estrutura e capacidade de defender bem o próprio gol.

Há treinadores que gosto de assistir — Julian Nagelsmann ou Thomas Tuchel, e claro Jürgen Klopp pela emoção ou Pep Guardiola pelos detalhes. Mas para mim é importante encontrar o meu próprio estilo, porque isso sempre depende do time que você tem.

Há muitas meninas que hoje se inspiram em você. Que tipos de conselhos você poderia dar para a próxima geração de treinadoras?

Sejam autênticas. Vocês não precisam ser mais duras porque são mulheres. É preciso persistir e ter paciência. Demorei quase 15 anos para treinar um time profissional e comecei com os jogadores mais jovens.

Trata-se de acrescentar conhecimento, mas também de construir a própria confiança — e às vezes isso leva tempo.

Como você gostaria de ser vista?

Eu sempre serei a primeira mulher a treinar um time masculino profissional na Alemanha e estou muito orgulhosa disso. Mas, no fim das contas, quero ser uma boa treinadora, uma boa gestora e uma boa pessoa para os meus jogadores. Não quero ser vista apenas como a primeira mulher no futebol profissional.

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

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