Cadê os meias? Lista da França mostra mesma carência da seleção brasileira
Cadê os meias? Lista da França mostra mesma carência da seleção brasileira
Finalista nas duas Copas do Mundo e uma das favoritas ao título no Mundial deste ano, a França tem algo em comum com a seleção brasileira: a ausência de um meio-campista ofensivo — o que se convencionou chamar de "camisa 10".
O técnico Didier Deschamps convocou 26 jogadores para os duelos contra Brasil e Colômbia, no fim deste mês. Nenhum deles tem como principal função ser o homem de ligação entre meio-campo e ataque.
Divulgada três dias antes, a lista de Carlo Ancelotti foi criticada pelo mesmo motivo.
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Deschamps chamou seis jogadores para o setor de meio-campo: Ngolo Kané, Aurélien Tchouameni, Eduardo Camavinga, Manu Koné, Warren Zaire-Emery e Adrien Rabiot. Todos eles atuam em funções defensivas, seja como primeiro ou segundo volante.
A lista de Ancelotti, que causou polêmica pela ausência de um jogador mais criativo, tinha Casemiro, Fabinho, Andrey Santos, Danilo Oliveira e Gabriel Sara; Bruno Guimarães, nome fixo nas convocações deste ciclo, está machucado.
Nas últimas partidas, a seleção brasileira jogou num sistema com quatro jogadores ofensivos — que pode ser interpretado como 4-2-4, ou 4-2-3-1 — com Matheus Cunha atuando como atacante recuado, fazendo as funções de meia.
O plano B parecia ser usar Lucas Paquetá nesta posição, mas o jogador do Flamengo ficou fora da lista divulgada na segunda-feira. Raphinha, que estava machucado nas últimas partidas da seleção, já exerceu a função de meia no Barcelona.
A França tem feito algo semelhante: desde que Antoine Griezmann anunciou sua aposentadoria da seleção, em 2024, a tendência tem sido usar jogadores da linha ofensiva para fazer a função de "camisa 10". Afinal, o camisa 10 de fato, Mbappé, joga como atacante.
Diante da Ucrânia, em novembro, na partida em que os franceses garantiram vaga para a Copa, o responsável por conectar meio-campo e ataque foi Rayan Cherki, que na lista de Deschamps aparece como atacante e no Manchester City atua frequentemente como ponta-esquerda.
Antes, Deschamps já havia usado Michael Olise, que é ponta no Bayern de Munique, e Christopher Nkunku, segundo atacante no Milan, como terceiro homem de meio-campo.
A ausência do famoso "meia de criação" no Brasil e na França não é coincidência. Há, na elite do futebol mundial, uma escassez de jogadores destas características.
A Espanha, líder do ranking da Fifa, deve ir à Copa do Mundo com estratégia semelhante: um 4-3-3 com três meio-campistas que têm qualidades indiscutíveis, mas não se encaixam no perfil de meia "criativo" que habita o imaginário do torcedor. O cardápio de opções de Luis de la Fuente é vasto: Pedri, Rodri, Martín Zubimendi, Mikel Merino, Aleix García, Gavi e Fabían Ruiz estão entre os primeiros e segundos volantes que devem ir ao Mundial.
As opções de meias são mais escassas: Alex Baena, Dani Olmo e Pablo Fornals. Há chances de que nenhum deles seja titular. Na fase final das Eliminatórias, os espanhóis jogaram apenas com o que eles chamam de pivotes e interiores (os volantes e segundos volantes), sem nenhum mediapunta (o meia, no jargão espanhol).
Na Inglaterra, outra das favoritas ao título da Copa do Mundo, Thomas Tuchel tem usado Morgan Rodgers, do Aston Villa, como meia, à frente de dois volantes. Mas o treinador alemão também pode escalar o time com Jude Bellingham, que tem outra característica, ao lado de Declan Rice e Elliot Anderson.
Há, é claro, as exceções: a Argentina tem Lionel Messi, Portugal joga com Bernardo Silva, a Bélgica confia em Kevin de Bruyne. Mas as ausências de meias nas listas de Ancelotti e Deschamps não deveriam causar estranheza. Ela apenas mostra uma nova cara do futebol, que deve ficar ainda mais nítida na Copa do Mundo.
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