Da 'Síndrome de Lolita' à ativista, Brigitte Bardot foi livre e contraditória
O cineasta Jean-Luc Godard dizia que Brigitte Bardot era a mais linda criatura (ou animal) que já passou pela Terra. Já a filósofa Simone de Beauvoir escreveu em "Brigitte Bardot e a Síndrome de Lolita" uma análise sobre a eterna contradição que Bardot sofria. De um lado, a mulher instintivamente livre e contestadora, que exercia sua sexualidade e sensualidade sem se curvar às amarras da sociedade conservadora em que cresceu. De outro, uma beleza exuberante e natural que foi moldada, repetida e explorada à exaustão pelo cinema e pela mídia para satisfazer o imaginário masculino da época — e, claro, gerar lucro.
Divertiu-se pelos festivais e pré-estreias pelo mundo, lançou tendências (que nunca saem de moda), como a de levar a sapatilha para as ruas, tirar a estampa Vichy da cozinha, soltar o cabelão e a voz em canções que não são obras-primas, mas marcaram época. Uma pena que a canção mais icônica feita para ela ('Je t'aime moi non plus'), a que Serge Gainsbourg escreveu pensando no movimentos dos quadris e do amor, que uma hora ama e outra não, foi eternizada na voz de Jane Birkin, pois Bardot era casada na época com o alemão Gunter Sachs e quis fugir da polêmica. Mas a polêmica sempre a perseguiu até a idade avançada, ora involuntariamente ora provocada por ela mesma, com as declarações controversas contra imigrantes e o conservadorismo político que abraçou com força nos últimos anos de vida.
Mas entre a visão masculina de Godard e a análise de Beauvoir, talvez seja possível encontrar a real Brigitte Anne-Marie Bardot. O cineasta francês, um dos pais da Nouvelle Vague, que revolucionou a forma de ser jovem e de se fazer cinema na França, também ironizou essa prisão em que o cinema e a sociedade dos anos 50 e 60 colocaram a atriz.........
