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Rebelião contra a IA começa na base de Trump e pode chegar ao Brasil

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28.02.2026

Rebelião contra a IA começa na base de Trump e pode chegar ao Brasil

Quem diria que a inteligência artificial, a grande aposta de Donald Trump, está virando o primeiro grande conflito entre o presidente e sua própria base eleitoral?

Desde que voltou à Casa Branca, o republicano vem desmontando barreiras regulatórias e acelerando o investimento para fortalecer a indústria americana de IA. Alinhado com os barões das big techs, aposta em um ambiente mais livre e sem barreiras para o avanço da tecnologia. A justificativa? O medo de ficar atrás da China.

Só que fora do Vale do Silício e de Washington, o clima é outro.

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Cresce na população um desconforto com os impactos reais dessa corrida tecnológica. Uma pesquisa encomendada pelo Financial Times constatou que mais de 60% dos eleitores de Trump estão preocupados com o rápido ritmo de desenvolvimento da IA, e quase 80% acredita que a tecnologia precisa de mais regulação.

Essa realidade dos Estados Unidos contrasta diretamente com o que está acontecendo na China. Outra pesquisa da Edelman mostra que, enquanto apenas 32% dos americanos dizem confiar na IA, entre os chineses esse número chega a 87%. No Brasil, esse número fica em 67%.

Vários fatores ajudam a explicar essa diferença, da cultura mais coletivista chinesa à própria configuração política do país. Mas há também a forma como cada nação comunica o avanço da IA. Nos Estados Unidos, predomina uma narrativa quase megalomaníaca de superinteligência, com CEOs prometendo uma ruptura total e iminente.

A China, por sua vez, avança de forma mais silenciosa, incorporando a IA aos setores já existentes e promovendo transformações graduais na economia. O país também segue requalificando sua população para a nova tecnologia, prometendo maior integração por meio de modelos abertos e dizendo não ter medo de impor regulações necessárias para proteger sua população.

Na semana passada, a capa da revista Time estampou o título "The People vs AI" para ilustrar esse tensionamento que ganha força entre as pessoas e a tecnologia nos EUA.

De um pastor texano a um ex-pesquisador do Google, passando por um escritor conservador, a matéria traz vozes diversas que levantam questionamentos dos impactos nos empregos, saúde mental, democracia e até mesmo na espiritualidade.

Mas o foco principal dessa confusão está nas consequências concretas com o avanço desenfreado dos data centers, que compõem a infraestrutura física da IA. São construções colossais que passam a trazer perturbações reais para a vida das pessoas. O Financial Times publicou uma reportagem mostrando como essa questão chegou até mesmo nos redutos conservadores do movimento Maga.

Eleitores de Trump estão se revoltando com consumo massivo de eletricidade, pressão sobre o abastecimento de água, além de uma promessa de geração de emprego que não se cumpre. Uma das preocupações é que isso possa impactar até mesmo a eleição de meio de mandato, com candidatos Democratas ganhando popularidade por vocalizar uma visão mais crítica sobre a IA.

De olho nisso, alguns políticos republicanos estão desafiando a própria Casa Branca e suas políticas para a IA. O governador republicano da Flórida, Ron DeSantis, vem propondo formas de limitar a expansão descontrolada de data centers no seu estado. Curiosamente, nesse ponto ele se junta a um movimento iniciado por Bernie Sanders.

No Brasil, esse debate começa a se estruturar com a política do Redata, articulada principalmente pelo Ministério da Fazenda e o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, que prevê incentivos fiscais para atrair data centers ao país. O argumento do governo federal é que hoje processamos cerca de 60% dos nossos dados fora e temos vantagens comparativas, como energia renovável e potencial de expansão, para atrair investimento estrangeiro.

As justificativas são plausíveis e temos uma janela de oportunidade importante agora, mas pesquisadores e organizações da sociedade civil têm feito críticas ao projeto. Embora a proposta preveja contrapartidas para o mercado brasileiro, muitos enxergam que elas são pequenas perto do risco de transformar a política em mais um benefício para as grandes empresas de fora do país.

O medo é o Brasil virar um celeiro de data centers que consomem nossa energia, água, geram poucos empregos locais e servem sobretudo aos interesses de plataformas estrangeiras, que usam essa infraestrutura não apenas para o mercado brasileiro, mas para sustentar suas operações globais.

A proposta nasceu como medida provisória do governo federal, que venceu agora. A proposta foi convertida em projeto de lei aprovado na Câmara nesta semana. Era esperado que o Senado aprovasse o projeto na última quarta-feira, prazo limite, mas Davi Alcolumbre nem chegou a pautar a matéria.

O debate segue, então é o momento de estabelecermos uma conversa franca com a sociedade, indústria, governo, especialistas e pesquisadores para que cheguemos em um projeto robusto que garanta que os benefícios para a inovação sejam maiores do que as externalidades negativas e quais outras contrapartidas deveríamos demandar. Soberania digital não é apenas onde os dados ficam. É também sobre quem acessa e captura o valor.

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

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