Trans, misoginia e doideira
Que o mundo está perigoso e louco, não há grandes dúvidas. Se de um lado temos guerras que ninguém sabe muito bem como vão acabar, e de como irá ficar a ordem mundial, do outro, vemos, ouvimos e lemos coisas mirabolantes, como se os problemas do mundo ‘girassem’ à volta dos casos dos trans e da misoginia. Faz-me imensa confusão como se alimentam os radicalismos de uma forma tão gratuita.
Comecemos pelo Brasil - a ditadura de costumes cresce a cada dia que passa - onde o Senado aprovou a criminalização da misoginia, faltando agora a Câmara de Deputados carimbar ou chumbar tal lei. Pode dizer-se que a intenção das autoras do projeto são as melhores, mas olhando bem para a lei percebe-se que é mais uma ‘aytolada’ dos fundamentalistas. A mim pouco me importa se são de esquerda ou de direita, sei sim que se alimentam uns aos outros, ‘inventando’ sempre algo mais radical. Alguém poder ser preso, de dois a cinco anos, porque perguntou a uma mulher se está com o TPM - tensão pré-menstrual - ultrapassa toda a minha compreensão. O mesmo se passa se alguém que for a conduzir e vir um condutor a fazer uma asneira e disser que ‘logo vi que é mulher’, não será condenado a tantos anos de cadeia, mas também não se livra de uma pena. Tudo porque demonstra aversão às mulheres. Quem diria que um país que teve Vinícius de Moraes, Tom Jobim, Jo Soares ou a Porta dos Fundos, que criou o samba e A Garota de Ipanema iria chegar a esta ditadura? É fácil de perceber como há cada vez mais brasileiros a querer fugir do país.
Viajemos agora para a Europa, onde em Espanha o Supremo Tribunal decidiu que dar um beijo na mão de alguém [calculo que numa mulher] sem o consentimento pode ser considerado agressão sexual! Um ato outrora de cavalheirismo é uma agressão sexual. Para que fique claro, nenhum palerma deve beijar a mão de quem quer que seja, sem o seu consentimento. Daí a ser uma agressão sexual...
Passemos agora aos trans. Na Grã-Bretanha, um trans que nasceu homem é o representante de uma associação de doentes com endometriose junto do Parlamento. Qual a bizarria? Segundo o site de um hospital privado, «a endometriose é uma doença crónica em que se desenvolve tecido semelhante ao do revestimento interno do útero (endométrio, que descama na menstruação) fora deste». O que tem tudo a ver com um trans que nasceu homem...
Passemos agora a Portugal, onde o Sall - Associação de Defesa e Liberdade - e a Associação Sindical de Chefias do Corpo da Guarda Prisional (ASCCGP) pedem a proibição de homens trans em prisões femininas e a revogação da norma que o permite. Este assunto está mais do que estudado em diferentes países e é mais uma aberração dos fundamentalistas. É certo que só haverá quatro ou cinco reclusos trans, mas o princípio é que conta. O mais famoso, um latagão de 1m90, já fez estragos na cadeia de Santa Cruz do Bispo, depois seguiu para Tires, onde estão as mães detidas com os seus filhos, e só depois de espalhar o terror nestes estabelecimentos prisionais, onde, supostamente, terá violado algumas colegas de cela, e dado cabo de duas guardas prisionais, é que foi colocado em Monsanto, na solitária. Note-se que não estamos a falar de pessoas que fizeram a operação para mudar de sexo, algumas apenas assumem que se sentem mulheres e que por isso ‘querem’ cumprir pena numa cadeia feminina.
Ah! Um dos trans detido nasceu mulher e fez a operação para ‘homem’ e não tem tido problemas por onde tem passado.
Por fim, parabéns ao Comité Olímpico que vai proibir trans que nasceram homens de competirem em provas femininas. Alguém consegue imaginar Mike Tyson, nos seus tempos áureos, a alegar que se sentia mulher e que queria competir com mulheres? É de lamentar que esta cegueira de alguns dê lastro a radicais fanáticos que odeiam tudo o que é diferente. Posto isto, que ninguém seja atacado por ser o que é, mas haja ordem na mesa.
vitor.rainho@nascerdosol.pt
A raça humana no seu melhor
Costumo dizer que a maioria das pessoas não ‘presta’, o que deixa chocados alguns amigos. Ao ler uma notícia de que riquinhos italianos, ingleses, franceses, americanos e alemães, entre outros, faziam turismo na guerra em Sarajevo, onde pagavam para fazerem de snipers e matar uns tantos inocentes, fico com menos dúvidas.
Continuando a falar de alarves, o que dizer das claques de futebol que se vestem de negro, os famosos casuals, para agredirem tudo o que é de outro clube? O fenómeno surgiu em Inglaterra no século passado e parece que foi extinto. Quando é que acaba em Portugal?
E o que dizer do inenarrável treinador adjunto de uma equipa de sub-11 que agrediu violentamente um árbitro? Valha-nos os wokistas para nos rirmos...
