Os números da criminalidade
Faltam poucos dias para começar o forrobodó das análises aos resultados do Relatório Anual de Segurança Interna, o célebre RASI. Como sempre, uns vão agarrar-se à diminuição de uns crimes, enquanto os ‘oponentes’ vão querer destacar o aumento de certo tipo de crimes. Não tendo tido acesso ao relatório preliminar, mas tendo andado por várias ‘capelas’, parece que aqueles que falam no aumento da criminalidade violenta terão de ‘agarrar-se’ aos raptos e sequestros, pois no resto deverá haver uma diminuição superior a 3%, isto falando na área da PSP. Mas na criminalidade violenta há um assunto em que os dois lados da barricada deverão estar de acordo: as violações aumentaram cerca de 15% e, à semelhança de outros países europeus, o fenómeno é cada vez mais preocupante.
Como seria de esperar, a criminalidade geral deve aumentar cerca de 3%, devido ao aumento da proatividade policial, querendo isso dizer que durante alguns meses de 2024 os polícias estiveram numa espécie de greve de zelo. Se as minhas contas, leia-se informações, estiverem certas, determinados crimes que dependem da atuação da PSP, como sejam as operações stop, registaram um aumento perto de 30%, significando isto que noutros itens os crimes baixaram muito, até para se chegar ‘apenas’ ao acréscimo de cerca de 3% em relação a 2024. Aqueles que querem gritar que não há insegurança em Portugal vão agitar as bandeiras bem alto de que os roubos na via pública baixaram cerca de 8%, dando os óbvios parabéns à atuação da PSP.
Quem também usa a insegurança como bandeira política vai logo dizer que isso não foi em todas as cidades e que há alguns bairros, em Lisboa e no Porto, em que isso não é verdade. Para mim, que estava convencido que os números oficiais, quer da criminalidade geral como da violenta e grave , iam aumentar bastante, é uma excelente notícia.
Portugal continua a ser um dos países mais seguros do mundo, mas é óbvio que em determinados zonas não é essa a perceção, nem tão pouco o número real de crimes. Há dias li uma reportagem do Público sobre a zona da Mouraria, onde fica a célebre Rua do Benformoso, e constatei, à semelhança do que me aconteceu a mim, que estou a preparar uma reportagem sobre essa parte de Lisboa - que será publicada nas próximas semanas - que os grupos de moradores que se queixam do consumo e venda de droga a céu aberto, das agressões, da nojeira de algumas ruas não quiseram dar a cara e pediram o anonimato, repito, como me aconteceu a mim, e até com jovens ligados a movimentos católicos que procuram alertar a Polícia para o aumento das agressões e que chegam mesmo a mandar vídeos.
Qual a razão para aqueles com quem eu falei, e os do Público, não quererem dar a cara? É porque é tudo um mar de rosas? Não me parece. Por fim, em 31 de dezembro de 2024, estavam nas cadeias portuguesas cerca de 12.200 reclusos, já no último dia do ano de 2025 esse número subiu para 12.981. É só fazer as contas...
vitor.rainho@nascerdosol.pt
