Cegueira modernaça
Que o mundo está cada vez mais parecido com a música dos Táxi, ‘mastiga e deita fora’, parece evidente. Manda-se um tema para cima da mesa, dá-se gás à discussão, parece que estamos perante o assunto mais importante do universo e, passado uns tempos, o assunto desaparece como apareceu. Já não falo dos temas recorrentes como as cheias, os fogos, o calor, o frio, e por aí fora, onde um número impressionante de gurus debita certezas absolutas. Um dos casos que considero emblemático é o do confinamento, onde se disseram alarvidades que envergonhariam qualquer aprendiz de feiticeiro.
Que o mundo seria melhor, que as pessoas que batiam com os tampos dos tachos às janelas nunca mais seriam insensíveis aos problemas dos outros, além de um número impressionante de disparates. Garantiu-se que a arquitetura iria mudar e que os prédios horríveis sem varandas, num país solarengo como o nosso, seria coisa do passado. Andando pela Grande Lisboa são poucos, mesmo muito poucos, os edifícios que contemplam um pouco de ‘ar puro’, leia-se varandas. Olhando para os prédios dos anos 50/60 até dói, vendo-se como regredimos tanto nesse aspeto.
A higiene era outra das bandeiras ‘deixadas’ pelo confinamento. E o que vemos, já........
