menu_open Columnists
We use cookies to provide some features and experiences in QOSHE

More information  .  Close

Com Passos destes, quem precisa de inimigos?

7 0
yesterday

Pedro Passos Coelho é eficaz nas críticas ao Governo porque é fogo amigo, o que constrange a reação do governo: não por acaso, a resposta foi entregue a Hugo Soares, que não pertence ao Executivo.

Mas há mais razões para explicar essa eficácia: porque a esquerda está sem pensamento crítico; e porque Passos… tem muita razão.

Sim, tem razão: não é só a falta de condições políticas (um governo com um apoio muito minoritário no Parlamento) que reduz as condições de fazer reformas estruturais, é também a falta de ideias e propostas verdadeiramente reformistas. Além de um não poder, há um não saber verificável desde logo no programa eleitoral de 2024. O caso da Saúde é o mais evidente: muitas promessas, poucas concretizações.

E mais: Passos tem razão quanto à despesa pública. Se o Governo baixa impostos, tem de baixar despesa. ‘Nicles’.

O que é espantoso é que a esquerda está tão entontecida pela sua própria debácle que desaprendeu de pensar: ninguém se lembrou ainda de dizer aquilo que Passos Coelho vai dizendo. Que o Governo está a falhar não só nas suas próprias promessas (como no caso da Saúde), como nos seus próprios desígnios (por exemplo quanto ao seu reformismo).

Compreende-se o delírio analítico sobre quais são as intenções de Pedro Passos Coelho: quer voltar? Saberá voltar? Pode voltar? E, voltando, pode ganhar? Ok, aceita-se este jogo interpretativo. Mas é ocioso ficar por aqui. Porque independentemente da intenção, há uma tensão forte num aspecto essencial: o conteúdo específico das suas intervenções.

É a razão que lhe dá força, não a força que lhe dá razão. E é por isso que Montenegro deve estar preocupado: o líder da AD como a líder da Iniciativa Liberal e já agora o do Chega.

A derrocada na A1. Se somos os primeiros a criticar, não podemos ser os últimos a elogiar. O trabalho de reconstrução de tabuleiro na autoestrada do Norte que ruiu nas cheias foi espantosamente rápido. E espantosamente barato: não haverá nenhum reequilibrou financeiro de contratos e a Brisa garante que não tentará cobrar a factura nem direta nem indiretamente. Chapeau.

Não há aeroportos grátis. A Ana quer financiar o novo aeroporto com pré-pagamento: aumentar as taxas aeroportuárias mesmo antes de começar a construção. O Governo, e bem, já disse que não aceita. Falta dizer como vai então o aeroporto ser pago: o quanto, o quanto é o quem.

Reality show. O discurso do Estado da União de Donald Trump foi não só o mais longo de sempre como o mais ‘espetacular’ de sempre. Não pelo conteúdo, mas pelo ‘formato televisivo’, com prémios e entradas de prémios em direto. Na Casa Branca (nesta Casa Branca), o show tem de continuar.


© SOL