menu_open Columnists
We use cookies to provide some features and experiences in QOSHE

More information  .  Close

O que aconteceu em fevereiro?

13 0
04.03.2026

Fevereiro termina e não deixa saudades! Começou com drama o meteorológico, que já vinha de janeiro.

Tenho 50 anos. Isso significa que já vi muitas coisas nesta vida, claro. Mas “comboios de tempestades” que parecem um ensaio geral do apocalipse, confesso que nunca tinha visto. E agora todas com nomes… decididos pelos comités ligados à Organização Meteorológica Mundial. Eles criam listas pré-definidas de nomes que vão sendo usadas em ordem alfabética a cada temporada. Simples, quase como lista de chamada da escola - só que com potencial de arrancar telhados (e tantos que foram arrancados).

Choveu como se alguém lá em cima tivesse esquecido a torneira aberta enquanto foi de férias.

Em muitas cidades, fevereiro começou digno de um filme de catástrofe

Por aqui, houve vento suficiente para redefinir o penteado de qualquer cidadão. Passei semanas em que o cabelo cada dia apresentava uma aparência pior do que a do dia anterior. Na televisão, jornal atrás de jornal mostravam imagens dramáticas. 

A minha relação com o tempo mudou. O curioso é que, aos 20 anos, achava as tempestades poéticas. A chuva a bater nas janelas… Aos 50, chuva significa outra coisa: infiltrações, humidades, prejuízos...

É curioso como o fim da chuva muda o nosso humor. As crianças reaparecem na rua como se tivessem sido libertadas de um cativeiro climatérico. Até o padeiro sorri com mais sinceridade, talvez porque ninguém entra na padaria a pingar como se tivesse acabado de atravessar o Atlântico a nado.

Guardei o guarda-chuva no fundo do armário!

Que venha março. De preferência, com previsão de bom tempo e os cabelos “bem-comportados”.

Espero que a eletricidade seja reposta em todas as casas que estão sem energia, desde janeiro, imagina.

Não te esqueças que o avô Ruy de Carvalho celebra 99 anos no próximo domingo.

Março não podia começar de melhor maneira.

Fevereiro acaba, finalmente. De vez em quando dá-me para ir ver que coisas importantes aconteceram em cada mês. Desta vez, evidentemente, no mês de fevereiro.

E as coisas que encontrei!

Vinte e oito dias - às vezes vinte e nove. Janeiro é um mês inteiro a levar com resoluções que ninguém cumpre, e fevereiro entra assim, fininho, a fingir que é discreto.

Mês mais pequeno que todos os outros, mas bem cheio de acontecimentos.

É claro que não vou pôr aqui todos - mas aqueles que que depois podes ir pesquisar para saberes um pouco mais. O saber nunca ocupa lugar, sempre ouvi dizer.

Começando pelos mais antigos, sabias que foi neste mês que Bartolomeu Dia dobrou o cabo da Boa Esperança (1488)?  E que nasceu Galileu (1564)?

Foi também em fevereiro (1608) que nasceu o Padre António Vieira, uma grande figura da nossa História (não é para fazer publicidade, mas a biografia que escrevi do padre António Vieira foi dos livros que mais gostei de escrever).

Fica a saber que, em fevereiro (1869), foi proclamada a abolição da escravatura em Portugal - um dos primeiros países a fazê-lo, o que levou o grande escritor francês Victor Hugo a escrever um texto a elogiar-nos.

Cá mais para os nossos tempos, também foi em fevereiro que começou a guerra de libertação de Angola (1961) e em que morreu o cantor José Afonso (1987).

É o mês do Carnaval (que detesto). Em que as pessoas se mascaram para fingir que são outras. Como se no resto do ano não andassem já mascaradas…

E depois ainda tem o tal Dia dos Namorados (que nunca celebrei). Um único dia para provar amor, imagine-se. Como se o amor tivesse prazo de validade, tipo iogurte.

Fevereiro é curtinho. É como uma visita educada: quando começa a dar trabalho, já está a ir embora. E ainda nos dá aquela esperança de que a primavera está ali ao virar da esquina, a espreitar.

Tal como o meu aniversário.


© SOL