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O Comunicador

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15.04.2026

A exposição “Retratos Contados de António Sala”, patente na Cidadela de Cascais, termina no próximo domingo.

Uma mostra dedicada à vida e obra de António Sala. Aquela voz que durante décadas acordou mais portugueses do que qualquer despertador. E, sejamos honestos, com uma taxa de sucesso muito maior do que os atuais alarmes do telemóvel – porque quando o António Sala falava, ninguém carregava no botão para desligar.

Falar de António Sala é falar de rádio. E falar de rádio em Portugal sem falar de António Sala seria como falar de futebol sem mencionar a bola – pode-se tentar, mas fica sempre estranho.

Durante anos, a voz de António Sala entrou nas nossas casas, nos carros, nas cozinhas, nas oficinas, nos táxis, e provavelmente também em alguns consultórios médicos.

Há uma coisa extraordinária na rádio: nós imaginamos sempre o rosto da voz. Durante muitos anos, muitos de nós pensámos que António tinha dois metros de altura, cabelo ao vento e uma capa de super-herói… tudo porque aquela voz tinha autoridade suficiente para organizar e fazer parar a manhã de um país inteiro. Como sabes, só um super-herói tem poderes para tal.

Depois conhecemos o homem – e descobríamos algo ainda mais raro: um profissional brilhante, com um humor finíssimo, uma enorme elegância e aquela capacidade muito portuguesa de conversar com milhões de pessoas como se estivesse apenas a falar com um amigo.

Se há talento difícil, é este: falar para tanta gente… e fazer cada um sentir que a conversa é só com ele.

Esta exposição é, no fundo, uma viagem no tempo. Encontram-se fotografias, memórias, histórias de bastidores, momentos de rádio que fizeram rir, pensar e, às vezes, até cantar.

Se há coisa que Portugal sabe valorizar… é boa companhia.

Ao longo da sua carreira o António fez companhia a muita gente,

Que privilégio o meu ser curador de mais esta exposição.

Muitos parabéns por esta justa e merecida homenagem ao meu amigo António.

E logo em Cascais, município que gosto tanto e onde vivi parte da minha vida.

Claro que organizar uma exposição sobre uma vida tão cheia não deve ter sido tarefa simples. É preciso selecionar momentos, histórias, objetos…, e também resistir à tentação de colocares tudo – pois se dependesse da tua vontade, essa exposição ia desde Cascais até Sintra, com uma pequena extensão para a Marginal.

Uma homenagem merecida a um homem que marcou gerações.

E digo gerações porque muitos cresceram a ouvi-lo, outros que o descobriram graças aos pais – ou aos avós – que ainda hoje dizem frases como: «A Rádio de antigamente é que era!»

O que prova duas coisas:

Primeiro, que António Sala faz parte da memória coletiva do país;

Segundo, que a nostalgia em Portugal tem uma audiência enorme.

António, obrigado pelas manhãs, pelas histórias, pelas gargalhadas e por provares que a rádio, quando é feita com talento e humanidade, não é apenas um meio de comunicação – é quase um membro da família.

Penso que essa exposição celebra a magia da rádio e a arte de comunicar. Sobretudo celebra uma voz que conseguiu algo muito raro: fazer companhia a um país inteiro.

É também uma oportunidade para percebermos uma coisa curiosa: antes dos podcasts, antes dos algoritmos, antes das playlists que acham que nos conhecem melhor do que a nossa própria família… já havia alguém que sabia exatamente o que os portugueses precisavam de ouvir logo pela manhã.

No fim de semana vejo-o sempre no programa “Estrelas ao Sábado”.

Já pensaste em realizar a exposição sobre a minha vida e obra em Cascais? Gostaria muito!

Espero que a exposição do Sala venha para o município de Mafra. Já me estou a imaginar numa tertúlia com o meu amigo António.

Agora vou para a esplanada fazer palavras cruzadas e ouvir rádio, claro.


© SOL