O modelo económico português está a produzir riqueza?
Uma economia pode crescer durante anos sem alterar verdadeiramente a sua posição no mundo. Pode produzir atividade, gerar receitas, equilibrar contas e acumular ciclos positivos – e ainda assim não ganhar escala, influência ou capacidade estrutural de convergência, permanecendo estruturalmente limitada. Crescer não é o mesmo que subir na hierarquia económica.
Nos últimos anos crescemos acima da média da zona euro, apresentámos excedentes orçamentais e reduzimos o desemprego. À superfície, a narrativa é de consolidação. Mas quando analisamos a nossa posição relativa na União Europeia, a distância não encurta. Crescemos. Mas não convergimos.
Em 2000, o PIB per capita português representava cerca de 85 % da média da União Europeia; nos anos recentes tem oscilado entre 78 % e 82 %. Crescemos em termos absolutos, mas afastámo-nos em termos relativos.
Este é o paradoxo central do modelo económico português: há atividade, há fluxo, mas a acumulação estrutural permanece limitada.
A questão deixa de ser conjuntural e torna-se estrutural: está o modelo económico português a produzir riqueza ou limita-se a gerar fluxo?
Fluxo económico é atividade visível – crescimento do PIB, receitas fiscais, consumo, turismo. Riqueza estrutural é algo mais exigente: capital produtivo acumulado, empresas com escala internacional, eficiência elevada e........
